O REINO ANIMAL
6 volume

AVES
(6 volume)


Generalidades
 
 
 As Aves distinguem-se de todos os outros animais pelo revestimento de penas que as cobre. Alm disso, todas as aves pem ovos e, com excepes relativamente raras, 
so capazes de voar. Em virtude desta combina o original de caracteres, a estrutura, os costumes e o comportamento das aves so, no seu conjunto, nitidamente diversos 
nos outros grupos do reino animal.
 O domnio do ar tornou-se-lhes possvel em virtude de trs circunstncias: a existncia de penas, a leveza do corpo, devida  pneumaticidade dos ossos, e a postura 
dos ovos, a qual evita  fmea a sobrecarga que representaria a gestao interna dos filhos.
 As penas das Aves tm vrias utilidades: envolvem eficazmente o corpo, impermeabilizando-o contra as variaes de temperatura e amortecendo-lhe os inevitveis choques, 
e, acima de tudo, constituem componente fundamental do mecanismo do voo. A cor das penas auxilia, por vezes, o animal a dissimular-se no seu ambiente natural; certas 
particularidades de colorao da plumagem permitem-lhes reconhecer a presena dos seus congneres e, principalmente, as eventuais companheiras afins, as penas de 
cores vivas so frequentemente utilizadas na seduo das fmeas, caractersticas das mais notveis em numerosas espcies.
 As penas das Aves so de dois tipos principais: as grandes, que servem para voar - rmiges e rectrizes, respectivamente, na asa e na cauda -, e as pequenas, ou 
tectrizes, que constituem a cobertura geral do corpo. Na maioria das espcies, as tectrizes, embora paream distribudas uniformemente, nascem apenas em zonas determinadas. 
Em certas pocas do ano, que diferem segundo as espcies, as penas so substitudas mediante um processo que se designa por muda, isto , as penas caem e novas penas 
nascem no seu lugar, modificando-se consideravelmente, por vezes, a cor da plumagem.
 A Ave tem o corpo fusiforme. Na sua maior parte, o esqueleto  rgido e constitui como que uma caixa, encerrando os rgos internos e servindo para a insero dos 
msculos principais do voo. Essa caixa  limitada,  frente e inferiormente, muito saliente nas aves voadoras. As vrtebras esto diversamente ligadas entre si, 
conforme as regies: na cervical, com grande mobilidade; na dorsal, sem mobilidade; e na sagrada, completamente soldadas num nico bloco. Os ossos dos membros so 
ocos e inteiramente reforados por fina rede ssea. O crnio tem paredes delgadas, as maxilas e o paladar apoiam-se em delicadas apfises. O membro anterior - a 
asa - tem essencialmente a mesma estrutura que nos Rpteis e nos Mamferos, mas o nmero de ossos do carpo e dos dedos  muito reduzido. Os ossos dos membros posteriores 
- a perna e o p - so relativamente pouco modificados, mas o nmero de dedos no ultrapassa quatro, normalmente. [Na verdade, a articulao do p  diferente, visto 
que certos elementos do tarso se soldam  tbia (tibiotrarso) e outros se unem ao metatarso (tarsometatarso).]
 Os msculos mais importantes, relacionados com o voo, so os da regio torcica; o seu peso pode atingir cerca da quinta parte do peso total do corpo da ave. O 
movimento de baixar a asa  produzido pela traco directa do msculo grande peitoral sobre o face ventral do nmero; mas o movimento contrrio, isto , de elevao 
da asa, faz-se com o auxlio do longo tendo peitoral, o qual passa atravs de um orifcio que funciona de roldana e vai inserir-se na face dorsal do nmero. [O 
orifcio  o foramen trisseo, limitado pelos ossos: clavcula, coracoideu e escapular. Esse dispositivo permite produzir um movimento em sentido inverso da traco.]
 Os pulmes tm como anexos sacos pneumticos dispostos de maneira que o ar oxigenado se ponha em contacto com os vasos sanguneos, no apenas em cada inspirao, 
mas tambm em cada expirao, constituindo assim um sistema respiratrio eficaz, diferente de qualquer outro animal.
 Pela sua estrutura fundamental, todas as aves so muito semelhantes entre si, mas diferem consideravelmente no seu aspecto exterior. As diferenas reflectem-se 
muito marcadamente nos costumes das diversas espcies, e, em menor grau, nas penas e nos ps. As granvoras, como os tentilhes, tm bico curto e forte, que lhes 
permite quebrar frutos e sementes; nas insectvoras, como os papa-moscas, o bico comprido e afilado; as galinholas e narcejas tm bicos mais compridos com que exploram 
a vasa  procura de alimento, as aves de presa, guias e mochos possuem bicos muito curvos, aduncos, na extremidade, prprio para despedaar a carne das vtimas.
 A forma caracterstica do p  aquela em que trs dedos esto dirigidos para a frente e um para trs. Nos andorinhes, os ps so to pequenos que, em tempo, se 
julgou que no os tinham. O andorinho da Europa  denominado Micropus apus "p pequeno" ou "sem ps" Nas avestruzes (Struthio) corredoras, os ps so grandes, e 
nas jaanas (Jacana), os dedos, extremamente alongados, permitem-lhes andar sobre a vegetao flutuante  superfcie da gua. Noutros casos - que se podem exemplificar 
pelos ps palmados ou lobados das aves aquticas, as pernas pretensoras das aves de rapina ou as pernas longas das garas e das bis - existe uma estreita ligao 
entre a forma e o comportamento.
 As aves que se empoleiram so capazes de se segurar com os seus dedos, durante horas e sem fadiga, merc de um mecanismo especial.  que o sistema que promove a 
flexo dos dedos consiste essencialmente num longo tendo, com origem no sistema muscular das pernas. Quando a ave voluntariamente se levanta, cessa automaticamente 
a tenso no sistema.
 Embora as Aves possuam incontestavelmente o domnio dos ares, a velocidade de voo tem sido analisada. A velocidade, na maioria dos passarinhos, raramente excede 
59 quilmetros/hora, s em certos casos, como nas andorinhas e andorinhes, ultrapassa talvez 95 quilmetros/hora. Cita-se que uma ave que chega a atingir 160 quilmetros/hora, 
um exemplo  a gui-real (Aquila chrysaetus). A velocidade varia conforme a ave faz apenas voo de ronda, persegue uma presa ou foge do inimigo. Alm disso, tem de 
se entrar em linha de conta com o vento, favorvel ou contrrio, e ainda muitos outros factores que podem condicionar a velocidade do voo.
 O sentido predominante nas aves  o da viso. 
 Nas pocas dos amores das aves, que outrora se julgavam determinada pela posse da fmea, tm realmente por finalidade a conquista de um territrio no qual o casal 
possa reproduzir.
 O canto  tambm, em certos casos, sinal distinto e aviso, em matria de direitos territoriais! O canto est intimamente relacionado com a reproduo, e muitas 
aves s cantam na poca dos amores.
 Em geral, s o macho canta, mas h aves que cantam o ano todo, Em suma, o canto parece servir para manter contacto entre os diversos membros de uma mesma espcie.
 H poucas aves que sejam absolutamente mudas e pode dizer-se que nos mais insignificantes pios h uma linguagem definida, exprimindo medo, ansiedade e outras emoes.
 O uso da plumagem como sinal distinto ou para seduo, assim como a faculdade de assinalar alimentos a grandes distncias, demonstram que a viso nas aves  o sentido 
mais importante.
 
 
Classificao
 
 
 Tornou-se clssica a diviso das Aves em dois tipos principais:
Rattes - aves corredoras, como as avestruzes africanas e seus semelhantes americanos e australianos, assim como tambm os quivis neozelandeses; 
As Ratites no voam, em virtude da carina ou quilha esternal, os grandes msculos prprios do voo atrofiaram-se. Em compensao, as pernas e os ps tm estrutura 
robusta, associada, em geral, a acentuado alongamento, o que lhes permite fuga rpida, quando necessrio. No entanto, os quivis, em parte defendidos pelos seus hbitos 
nocturnos, no conseguem correr velozmente. Alguns autores incluem, nas Ratites, os tinamos [isto , os inhabus do Brasil].
Carinates - correspondendo todas as outras aves.
 [Existe ainda um outro grupo - o dos Impenes, vulgarmente conhecidos por pinguins - que ocupa posio intermdia entre os dois grupos principais. Com razo se consideram 
derivados de um tipo primitivo desprovido da faculdade de voar, no atribuvel a degenerescncia, mas, sim,  sua adaptao  vida aqutica.]




Ratites
 
 
 Esta subclasse divide-se, por seu turno, nas seguintes ordens:
Estrutioniformes;
Reiformes;
Casuariformes;
Apterigiformes
 
 
Estrutioniformes
 
 
 Os avestruzes africanos (Struthio), de que existe apenas uma espcie (Struthio camelus), so as maiores aves. Do seu corpo volumoso, suportado por um par de compridas 
e robustas penas, salienta-se, adiante, o enorme pescoo nu, terminando pela cabea extremamente pequena. A estrutura e o peso podem atingir 2,45 metros e 150 quilos, 
respectivamente. Nos ps, os dedos reduz-se a dois: o interno, bastante maior que o extremo; com as suas unhas fortes constituem arma terrvel. Os machos so maiores 
do que as fmeas e tm plumagem preta, com penas brancas nas asas e na cauda. Essa plumagem, macia e verdadeiramente ornamental,  muito apreciada. As fmeas tm 
cor cinzento-acastanhado, como a dos juvenis. o avestruz habita regies desrticas, plancies arenosas ou matos rasteiros. Os ovos so depostos em depresses pouco 
profundas do terreno. Cada postura  constituda por uma quinzena (12 a 25) de ovos em mdia, e a incubao dura cerca de um ms e meio. Os filhos acompanham os 
pais desde os primeiros dias.
 
 
Reiformes
 
 
 Os nandus ou emas, distinguem-se dos verdadeiros avestruzes africanos-arbicos, por diversos caracteres, entre outros: trs dedos com unhas nos ps, pescoo e cabea 
completamente revestidos de penas, asas relativamente grandes e cobertas de penas, compridas e delgadas, ausncia de grandes plumas ornamentais na cauda.
 Existem duas espcies: o nandu-de-bico-grande ou nandu comum (Rhea americana) do Brasil e da Bolvia, e o nandu-de-darwin (Pterocnemia pennbata), da metade meridional 
do continente. Vivem nos pampas e nas plancies de mato rasteiro, onde se associam, por vezes, com veados e guanacos, tal como sucede com os avestruzes, que se encontram 
em companhia de zebras e antlopes. As fmeas agrupam-se para a postura, e cada uma pe cerca de uma dzia de ovos, em depresses do solo, que lhes servem de ninho. 
Quando a postura est completa, o macho encarrega-se sozinho da incubadora. { curioso notar que, em Portugal, no sculo XIV, o avestruz era designado por ema, nome 
que, no Brasil, passou a nomear, em portugus, o nandu, e deixou de ser usada entre ns com o seu antigo significado.]
 
 
Casuariformes
 
 
 Embora semelhantes aos avestruzes, as esmas e os casuares tm as asas mais pequenas, mas o que os diferenciam dos nandus e dos avestruzes  a estrutura das suas 
penas, todas elas com vexilo acessrio to comprido com vexilo principal de brbulas esparsas. As emas (Dromicedeos), representadas apenas por uma espcie, Dromiceius 
novae-hollandiae. So mais pequenas do que os verdadeiros avestruzes e tm a plumagem pintalgada de cinzento e castanho, com penas terminadas em ponta negra. Tm 
trs dedos com unha, como na ema americana, todos quase do mesmo tamanho; o bico  largo, e a cabea, assim como a parte dorsal do pescoo,  coberta de penas esparsas 
piliformes. Vivem em grupos, em campos rasos, semidesrtico, e renem-se aos casais na poca de procriao. A fmea, mais pequena do que o macho, pe 7 a 12 ovos, 
em depresso escavada no terreno, onde so incubados, durante cerca de oito semanas, pelo macho.
 Os jovens so cinzentos, riscados de preto. A alimentao  vegetariana e, como invadem as culturas agrcolas, do motivo a que sejam perseguidos e dizimados, ao 
ponto de o seu nmero ser j muito reduzido. Defendem-se energicamente valendo-se das unhas, mas domesticam-se facilmente.
 Embora tenham as mesmas caractersticas gerais das emas, os casuares (Casurdeos) no se assemelham no aspecto exterior. A plumagem  negro-azulada; as asas tm 
cinco a seis penas reduzidas apenas ao rquis, que lembram picos do porco espinho; o bico  achatado e a cabea ornada de casquete sseo. Mas os caracteres mais 
visveis so as carnculas do pescoo nu, azuis e vermelhas e as unhas, que chegam a medir 17 a 20 centmetros de comprimento nos dedos mdios. Os casuares, de que 
existem em trs espcies, vivem geralmente em pequenos grupos, excepto na poca de reproduo.
 O ninho no  mais do que uma depresso do solo forrada de folhas secas, que recebe a postura de trs a oito ovos, verdes. Os machos contribuem para a incubao, 
que dura sete semanas. Os jovens so de cor castanha com riscas bem marcadas. Os casuares correm com grande velocidade, transpem facilmente obstculos elevados 
e, quando necessrio, nadam sem dificuldade.
 
 
Apterigiformes
 
 
 Os quivis (Apteryx) so as mais pequenas de todas as aves corredoras e to caractersticas da Nova Zelndia que a figura  o emblema deste pas. Diferem das precedentes 
pela presena de quatro dedos, um dos mais posterior, e pelo bico muito comprido e levemente curvo, em cuja extremidade se abrem as narinas (o contrrio das outras 
aves). As penas no tm vexilo acessrio. Existem trs espcies de quivis, so de tamanho de uma galinha, de corpo arredondado, penas robustas e ps com unhas fortes. 
A posio terminal das narinas na extremidade anterior do bico parece indicar que a procura do alimento  auxiliada pelo olfacto. As asas so muito pequenas e cobertas 
completamente de plumagem. [Apteryx significa: sem asas; mas, de facto, elas tm esqueleto normal; somente lhes faltam as penas caractersticas.] No h penas caudais 
diferenciadas. So aves nocturnas e tmidas, recolhendo-se durante o dia a um abrigo. A alimentao  constituda por vermes, insectos e begas. O ninho situa-se 
no extremo de uma toca, aberta no solo e tapeada de restos secos de vegetais, onde a fmea depe dois ovos brancos, extraordinariamente volumosos, em relao ao 
tamanho da ave, e pesando cerca de oitava parte do seu peso. O macho toma parte preponderante na incubao. Dificilmente se reconhece a sua presena no ambiente 
natural em que vive, visto que de dia se esconde, s furtivamente vagueando de noite, o que o torna raramente encontradio.
 O seu alimento principal  constitudo, no s por vermes e toda a casca de insectos, nos estados de larva e de adultos, mas tambm por folhas e frutos silvestres. 
A posio das narinas perto da extremidade do bico torna-o muito sensvel. As longas penas piliformes, situadas em volta da base do bico, tambm lhe confere grande 
sensibilidade, permitindo-lhe guiar-se afoitamente durante a noite. 
 Os quivis no tem corrida veloz. ao contrrio da galinha mori (Ocydromus), embora no ve, estende as asas quando corre, as do quivi no tomam essa atitude, pequenas 
como so, reduzidas apenas a pequenos cotos, completamente dissimulados na plumagem.
 O nome indgena "quivi"  onomatopaico. O seu ninho  instalado em concavidades, quer dentro dum tronco cado, quer entre as razes de uma grande rvore, ou, por 
vezes, numa espcie de toca, aberta em solo de terra solta.
 
 
 IMPENES
 
 
 A subclasse Impenes (Cotetos ou falsos-pinguins) Compreende uma nica ordem: a dos Esfenisciformes (Sphenisciformes), de que se conhecem 17 espcies, exclusivamente 
existentes no hemisfrio austral, desde as ilhas do Antrctico at prximo do Equador. So, em geral, impropriamente chamados pinguins. Estes animais ocupam, entre 
as Aves, a mesma situao que as focas entre os Mamferos, isto , esto maravilhosamente adaptados  vida aqutica. Tm as asas transformadas em barbatanas, com 
os ossos respectivos achatados, formando um todo rgido desde a articulao do ombro at a extremidade, e, como falta de articulao do cotovelo, as asas no podem 
dobrar-se como as das outras aves. No h pernas propriamente ditas, pois encontram-se reduzidas nas pequenas escamas piliformes. As pernas esto inclusas na massa 
geral do corpo, ficando apenas de fora uns ps, muito grandes e situados muito para trs, de modo grandes que os "pinguins" ["cotetes ou sotilicrio", como chamaram 
os portugueses da era dos Descobrimentos"] tm sempre, em terra, a atitude erecta e o seu andar  bomboleante. Na gua, as asas funcionam como remo e os ps servem 
de leme: em terra, quando fogem, deitam-se de barriga, agitando as asas e os ps, como quem pusiciona o corpo. Na sua maioria, estas aves reproduzem-se sobre os 
rochedos desrticos e nas ilhas do oceano Antrctico, onde se renem grandes populaes.
 O mais conhecido  o cotete-real (Aptenodytes patagonica), a cor do dorso  escura, quase preta, ao passo que toda a regio oposta  branca. O cotete-imperador 
(A. forsteri),  o maior de todos, pois mede cerca de 1,25 metros de comprimento,  quase inacessvel.
 Os cotetes-reais e os imperadores no fazem ninho, mas protegem o seu ovo nico numa prega cutnea, arremedo de bolsa marsupial, que se apoia sobre os ps e onde 
o filho se abriga enquanto no pode suportar as baixas temperaturas.


CARINATES
 
 
 Carinates - subclasse mais numerosa, abrangendo vinte e quatro ordens, que se repartem em dois grupos:
 
 Nonpasseres; e Passeres - representada por uma nica ordem, Passeriformes (Pssaros propriamente ditos), distribudas por 56 famlias de aves.
 
 So as seguintes ordens:
 

 Pigpodes
 
 
 Nesta ordem renem-se dois tipos distintos de mergulhes, correspondentes a duas subordens:
O Gaviiformes ou Colimbiformes (conhecidos em Portugal por galgueires ou mobelhas) - So representados por quatro espcies, habitam nas regies rcticas e subrcticas. 
So bons nadadores e mergulhadores, e voam com facilidade. O ninho  uma simples depresso do solo,  beira de gua. Os filhos nadam logo pouco depois de sarem 
do ovo. [O maior de todos  o galgueiro-da-cal, Colymbus immer, que, como o C. arcticus, raramente visita Portugal; uma terceira espcie, C. stellatus, conhecida, 
como a segunda, por camilonga,  a mais comum das trs no nosso pas.]

Os Podicipediformes - So as aves a que, em Portugal, se d mais geralmente o nome de mergulho. H cerca de 25 espcies. O seu corpo assemelha-se ao dos patos, 
mas tem as penas mais recuadas e os dedos marginados de membranas lobadas, o que lhes facilita a natao. O pescoo  gracioso e a cabea prolonga-se por um bico 
comprido e delgado. As asas so pequenas, mas suficientes para lhes permitir voos bastante rpidos, mas de pouca altura. Vivem exclusivamente de plantas aquticas, 
so excelentes mergulhadores desajeitados em terra firme. Os mergulhes reproduzem-se em pleno pntano, mantendo os seus ninhos flutuantes, feitos de ervas, juncos 
e canios. Quando em perigo, os pais abandonam o ninho e metem-se silenciosamente na gua, depois de terem coberto os ovos com ervas. Os filhos so capazes de nadar 
desde que saem do ovo. [Em Portugal, conhecem-se trs espcies: o mergulho-de-crista, Podiceps cristatus, raro; o cagarraz, P. nigricoollis; e o fundujo ou ala-cu, 
P. ruficollis.]


Procelariformes
 
 
 A esta ordem pertencem os albatrozes, os calca-mares e os furabuxos ou pardelas.
 Os dois primeiros assemelham-se s gaivotas, mas com elas no tm parentesco algum, distinguindo-se pelo prolongamento tubuloso das narinas, juntas ou separadas 
na base do bico. So aves ocenicas tpicas. albatroz-vagabundo, Diomedea exulans tem uma envergadura que chega a 3,30 metros. O alma-mestre, Hydrobates pelagicus, 
no passa dos 20 centmetros, so capazes de voos extensos. A sua alimentao consiste em cefalpodes, crustceos de vrias espcies, animais mortos e restos de 
comida lanados ao mar pelos navios.
 Os albatrozes (Diomededeos), so aves de voo mais poderoso, mantendo-se no ar durante quase todo dia. Apenas no perodo da reproduo elas vm a terra. O nico 
ovo  branco, com uma coroa de manchas vermelhas, em volta da extremidade obtusa.
 O albatroz-vagabundo, tambm chamado "carneiro-de-veludo"  de cor branco-amarela com riscas pretas nas asas. Outros albatrozes, como Phebetria fusca, so de cor 
mais sombria.
 Os calca-mares e outros "petris" (Procelarideos) abrange grande diversidade de aves marinhas, mais pequenas que os albatrozes, mas que lhes so afins. Entre elas, 
contam-se os pelicanides ou petris-mergulhadores [exemplo: Pelecanoides magellani], voam rapidamente ao rs das ondas, mergulhando para capturar crustceos e lulas, 
e saindo da gua sem nunca interromperem o movimento de voo das asas.
 Os petris propriamente ditos so, na sua maioria, aves pequenas, quase pretas, com uma zona branca junto  cauda e os ps dotados de palmuras. O Hydrobates pelagicus, 
alma-mestre ou calca-mares [conhecido por aves-das-tempestade], no  maior que uma andorinha [o oceanodroma leuxcorrhoa,  mais frequente em Portugal].
 Na sua reproduo, a fmea pe o seu nico ovo num buraco dos rochedos, que lhe serve de ninho e onde permanece durante todo o dia, saindo apenas  noite para se 
alimentar. A incubao dura cinco semanas e o ninhego  alimentado durante dois meses at estar bem gordo. Os pais o abandonam quando j tem todas as penas, e ele 
permanece no ninho durante uma semana, at que, cheio de fome, se decida voar e a procurar alimento.
 O fulmar, Fulmarus glacialis, de cor branca e cinzenta, mede cerca de 50 centmetros. O grande petrel ou ossfrago, Macronectes giganteus,  do tamanho de um albatroz.
 Os fura-buxos,  uma espcie do gnero Puffinus, que tm o hbito escumar a superfcie das guas marinhas, de um lado e doutro, compreendendo diversas espcies, 
entre outras, o Puffinus puffinus, conhecido por "pufino-dos-ingleses".  de tamanho de um pombo, preto por cima e branco por baixo. Agrupa-se, formando colnias 
que se abrigam e aninham em cavidades dos rochedos, mas passam a maior parte do tempo no mar, regressando ao ninho s ao pr do sol. O P. graviss [conhecido em Portugal 
por
pardela-de-bico-preto] mede 50 centmetros de comprimento.
 O petre-de-cauda-curta (P. tenuirostris) constitui enormes colnias, em cavidades de perto de 2 metros de comprimento, nos rochedos, em to grande nmero que o 
cho lembra um favo de abelhas. As aves novas so bastante gordas.
 
 
Pelecaniformes
 
 
 Os representantes desta ordem, tambm designados de Esteganpodes - rabos-de-junco, pelicanos, patolas,
corvos-marinhos, anhingas e fragadas -, diferem de todas as outras aves por uma particularidade anatmica bastante caracterstica, que  a de que o dedo posterior 
est unido por membranas ao segundo dedo, de modo que o p  inteiramente palmado. Tm costumes sociais e alimentam-se de peixes.
 Os rabos-de-junco (Faetontdeos), tm o bico muito pontiagudo com os bordos denticulados, e um par de rectrizes de tal modo compridas e afiladas que inspiraram 
o nome por que so vulgarmente conhecidos. Como tm patas curtas, os movimentos destas aves em terra so muito desajeitados. A plumagem , em geral, branca com manchas 
pretas. Os seus voos levam-nas at centenas de quilmetros ao largo e seguem durante horas os navios. Os rabos-de-junco mais conhecidos So: o Ph. lepturus e Ph. 
aethereus, Ph. rubricaudus, etc 
 Os pelicanos (Pelecandeos) so representados por uma dezena de espcies. Tm a cabea relativamente pequena em relao ao bico, corpo robusto e pescoo comprido, 
cobertos de plumagem grosseira, e patas bastante curtas. A sua caracterstica mais frisante  o enorme bico, comprido e achatado, com sulcos profundos, em cuja maxila 
inferior est apenas uma grande bolsa gutural, utilizada como rede de pesca,  qual a maxila superior serve de tampa.
 O pelicano comum, Pelecanus onocrotalus, que mede 1,50 metros de comprimento, tem a plumagem de cor branco-rosado, com algumas rmiges pretas. O bico  vermelho-claro, 
levemente amarelado e com uma linha carmesim na aresta mdia; a garganta e os ps so de cor de carne.
 Os pelicanos vivem em grupos enormes perto dos pntanos, dos rios ou dos seus esturios, alimentando-se de peixe que vo pescando. O ninho, construdo por ramagem, 
 grande e chato, e a fmea alimenta os filhos oferecendo-lhes a bolsa gutural cheia de peixe. O pelicano, P. erythrorh ynchos, tem excrescncia crnea na ponta 
do bico apenas durante a poca da reproduo.
 Os Suldeos, dos quais existe uma dzia de espcies, so aves ocenicas largamente distribudas por todo o Mundo.
 Tm estrutura robusta, bico afilado e cauda em forma de cunha. Todos tm voo potente e apanham peixes em voo picado, deixando-se cair do alto e de cabea. Animam, 
formando colnias em ilhas solitrias; o seu ninho  constitudo por algas e ervas, vivendo a os filhotes numa imundcie indescritvel. O ganso-patola (Sula bassana) 
e o ganso-patola-castanho (Sula sula), so notveis, tanto pelas suas dimenses, como pelos seus mergulhos espectaculares. 
 As trintas espcies de corvos-marinhos (Falacrococdeos) esto espalhadas por todo o Mundo. Geralmente, na cor predomina o preto ou o preto-e-branco, com reflexos 
violceos, azuis e verdes.
 As Anhingas (Anhingdeos) ou mergulhes-serpentes tm cabea pequena, bico comprido e afilado, na extremidade de longo e delgado pescoo, que lhe d o aspecto de 
serpente. So de cor castanho-escura com o dorso cinzento-prata, esverdeado ou metlico. Existem quatro espcies:
Anhinga anhiga;
 Anhinga rufa;
 Anhinga melanogaster; e
 Anhinga novae-hollandiae - o pescoo destas aves tem a propriedade de se estender repentinamente, como uma mola, capturando os peixes com extrema preciso.
 
 A fragata ou guia-do-mar, Fragata aquila, e a fragata-pequena, F. ariel, so as mais conhecidas das cinco espcies da famlia dos Fragatdeos. Tm voo potente 
e deles se servem, a grande velocidade, para atacar as aves-marinhas pequenas, obrigando-as a regorgitar a presa em seu benefcio, tudo em pleno voo. Tambm atacam 
os ninhos, matando e comendo as criaes. O bico  forte e adunco; as patas so curtas, o corpo mede 90 centmetros, e as asas atingem a envergadura de 2 metros 
a 2,50 metros. A cauda em forquilha d-lhes o aspecto de uma enorme andorinha. A plumagem  predominantemente preta, com reflexos esverdeados no dorso. A fmea pe 
um s ovo, em ninho grosseiro de ramagem, instalado numa rvore ou arbusto, ou mesmo sobre rocha nua.
 
 
Ciconiiformes
 
 
 As garas (Ardedeos), cegonhas (Ciconideos) e bis (Tresquiornitdeos) assemelham-se aos grous, mas distinguem-se deles nitidamente pela constituio do paladar 
sseo como os dos gansos e patos [desmognata, isto , com os maxilo-palatinos unidos na linha mdia]. Alm disso, os filhos nascem ainda incapazes de se bastar a 
si prprios, ao contrrio do que sucede com os grous, os quais depois de sarem do ovo so capazes de correr.
 Os abetouros, pequenos ou de tamanho mdio, fazem tambm parte da famlia das garas. Frequentam os pntanos e charcos herbosos e aninham no solo. A plumagem  
fulva, variada e malhada de negro e castanho. O pescoo e as patas so muito compridos. So aves tmidas que nunca se afastam dos caniados. O chamamento do macho 
 um berro grave e estrepitoso. O abetouro (Botaurus stellaris), mede cerca de 60 centmetros, e a espcie B. lentiginosus,  conhecida por stake-river, isto , 
ataca do rio.
 O abetouro-galego ou garote, Ixobrychus minutus, e o abetouro pequeno, I. exilis, so garas das mais pequenas.
 Nas garas propriamente ditas, o bico  geralmente muito comprido, direito e pontiagudo, denticulado nos bordos, constituindo uma arma eficaz para apanhar os peixes. 
As pernas e os dedos so compridos e tpicos das aves penaltas que caminham dentro de gua. Em vrias espcies, na poca de reproduo, crescem penas compridas - 
as egretas. A graa-ribeirinha (Egretta garzetta), a gara-pequena (Leucophoyx thula) e grande-egreta (Csmerodius albus), estas e outras garas, que sofreram grandes 
baixas nas suas populaes.
 Uma das aves mais elegantes e mais graciosas desta famlia  a mencionada grande-egreta. Alm destas espcies, h o arapap (Cochlearius), tambm conhecido por 
savacu, e o C. zeledoni, cujo bico se parece com o arcaboio, invertido, de um navio, e seu prximo parente Nycticorax nycticorax. Este  de hbitos nocturnos ou 
crepusculares. A sua plumagem  cinzento-azulada, com o alto da cabea e o dorso negro-esverdeados, e um feixe de plumas brancas pendente da regio nucal.
 A gara-dos-recefes, Demigretta sacra, e a gara-marinha, Demigretta gularis, tm duas fases de plumagem: a branca e a cinzento-azulada.
 A gara-cinzenta, Ardea cinerea, que se encontra difundida por todo o Mundo, tem plumagem cinzento-ardsia e branca com malhas pretas. Aninha em colnias, mas dispersa-se 
logo que passa a poca de reproduo. Alimenta-se de peixes, ras, ratos e ratazanas, assim como a criaes de aves aquticas.
 O bico-de-sapato, Balaeniceps rex, pertence a esta mesma ordem, mas a famlia  diferente (Balenicepitdeos). Poisa nas rvores, mas aninha entre os canios e ervas 
da beira-rio.
 O pssaro-martelo, Scopus umbretta  o nico membro da famlia dos Escopdeos. Constri um ninho monumental, feito de fragmentos e outros animais ao seu alcance, 
cimentando tudo com lama.
 As cegonhas distinguem-se das garas pela sua corporatura mais robusta, pescoo mais grosso e bico mais forte. O nico som que emitem  produzido pelo bater das 
mandbulas uma na outra. Nelas, o dedo posterior  curto, situado acima dos trs dedos anteriores, ao passo que, nas garas, o dedo posterior  comprido e situa-se 
ao mesmo nvel dos outros dedos. As cegonhas voam de pescoo estendido. A esta famlia pertence o marabu, Leptoptilos crumeniferus, e a espcie similar, argala, 
L. dubius, so scegonhas de aspecto deselegante, de 1,50 metros de altura, com a cabea e o pescoo nus, tendo a pele rosada coberta de penugem piliforme. Pendente 
do pescoo, existe uma prega cutnea, espcie de papo, susceptvel de se dilatar em saco oscilante e de se contrair, o que tudo contribui para aumentar a fealdade 
destas aves. Tm costumes sociais, reunindo-se em grandes colnias. Voam a grande altitude, descrevendo trajectrias circulares, como os abutres, e
alimentam-se, como eles, de despojos animais, alm de peixes e batrquios.
 As outras cegonhas, de que existem umas vinte espcies dispersas por todo o Globo, excepto nas regies frias, vivem e
reproduzem-se em grandes comunidades. Tm o corpo robusto, grandes asas, cauda curta e plumagem, na maior parte, preta e branca. A cegonha-branca, Ciconia ciconia, 
com 1,10 metros de altura, reproduz-se construindo os seus ninhos de ramagens nos telhados e chamins, que so ampliados, de ano a ano, atingindo por vezes enorme 
volume. A sua plumagem  branca com rmiges negras; o bico e os ps so vermelhos.
 A cegonha-preta, Cionia nigra, tem plumagem recta, com reflexos metlicos, e as partes inferiores brancas.
 O jabiru, Ephippiorhynchus senegalensis, tem bico grande, vermelho, amarelo na base e com uma risca preta transversal, perto do meio.
  aparentado com o jabiru de pescoo preto, Xenorhynchus asiaticus, e com o grande-jabiru, Jaburu mycteria, branco com cabea e pescoo nus e negros, que atinge 
1,20 metros de altura.
 Umas trinta espcies de bis encontram-se em todas as regies quentes da Terra. A bis-sagrada, Threskiornis aethiornipica, com seu bico curvo para baixo e a plumagem 
preta e branca. Outras bis, escarlates e brancas, das diferentes partes do Mundo, tm cores luzidias, como, por exemplo, a bis-de-poupa, Lophotibis [conhecida 
no Brasil por tapicuru].
 O colhereiro, Plataledeos,  uma ave toda branca, com um ar de cegonha, 80 centmetros de altura, um longo penacho na cabea, ps negros e um bico negro, espatulado, 
de que serve para pescar pequenos animais aquticos, em guas pouco profundas. Vive perto de lagos pantanosos ou nos bancos de areias fluviais. Uma das espcies 
mais surpreendentes  o colhereiro-rseo, Ajaja ajaja, que deve o seu nome vulgar  cor da plumagem.
 Os flamingos (Fenicopterdeos) so de cor que varia do
rosa-plido ao escarlate, com manchas negras, e medem cerca de 1,50 metros de altura. As penas e o pescoo so extremamente compridos e delgados; o bico  grosso 
e recurvado. Existem cinco espcies repartidas pelas zonas quentes da Terra. O flamingo rosado, Phenicopterus ruber roseus, vive nos charcos salgados. Como outros 
flamingos, o vermelho, P. ruber ruber, e o flamingo pequeno , Pheniconaias, vivem em bandos e alimentam-se de plantas aquticas e de moluscos. Embora tenham hbitos 
tpicos das aves pernaltas e passeiem dentro de gua pouco profunda, tambm nadam perfeitamente.
 Quando comem, viram completamente a cabea para baixo, de modo a que a mandbula superior fica a servir de colher. Os ninhos so montes circulares de lama, situados 
 beira de gua.


Anseriformes
 
 
 Os Anhimdeos so representados por trs espcies, cabendo-lhes o nome vulgar de "uivadores", em virtude do seu grito de alarme caracterstico. Embora aparentados 
com os patos, tm mais semelhana exterior com os Galinceos. O bico  curto, os dedos so compridos, sem palmura, e na asa h um ou dois espores. [No Brasil, vivem 
duas espcies: Anhima cornuto, "anhuma", dotada de cornculo ao meio da testa, donde o apelativo de unicrnio, e "anhuma-poca", Chauna torquata, sem cornculo, mas 
com grande poupa nucal e um colar de plumagem negra. As suas vozes so, respectivamente, "tan-gente" e "tacha", usados como nomes onomatopaicos. pelas caractersticas 
apontadas, estas aves podem constituir uma ordem independente, a dos Anhmiformes.]
 Os Anatdeos, famlia a que corresponde umas duzentas espcies, esto adaptados a viver  superfcie da gua. Tm corpo largo e deprimido, penas curtas e muito 
recuadas, terminadas por dedos palmados. Na sua maioria so omnvoros: alimentam-se de vegetais, sementes, insectos e de outros animais aquticos, que, em geral, 
encontram na gua. O bico , em regra, largo e achatado, marginado internamente de lamelas cutnea (Lamelirostres), que servem para filtrar os alimentos. Todavia, 
os mergansos, exmios mergulhadores, So patos que se alimentam de peixes, o bico  delgado, adunco, guarnecido de lamelas denticuliformes marginais, e a cabea 
tem, em geral, uma poupa, mais ou menos desenvolvida. O merganso-maior, Mergus merganser,  uma bonita ave de 60 centmetros. [O merganso-de-roupa, m. serrado, aparece 
no Inverno, irregularmente em Portugal.] O merganso-menor, m. albellus,  o mais pequeno e o melhor mergulhador de todos os patos. O macho  uma bonita ave preta 
e branca tambm dotada de formosa poupa; a fmea tem a cabea de cor castanha e as faces brancas. No magnfico merganso-coroado, Lephodytes cucullatus, o macho tem 
uma poupa que lhe circunda toda a cabea. O merganso-chileno ou pato-das-torrentes, Mergannetta armata, vive nas torrentes dos Andes; o bico no  denticulado e 
o coto da asa  armado de esporo.
 Encontra-se patos selvagens em todo o Mundo, mas particularmente nas regies frias do hemisfrio boreal. Nos patos dos climas frios, os machos tm cores mais vivas 
do que as fmeas. No perodo da reproduo, eles passam por uma fase de "eclipse", que lembra a da plumagem das fmeas. A maioria das espcies tropicais no passa 
pela fase de "eclipse" da plumagem.
 Durante as manobras de seduo, os machos exibem  fmeas apenas o peito, erguendo e baixando o pescoo, e balanceiam a cabea, de alto a baixo, enquanto caminham 
em crculos,  roda da fmea. Os ninhos so simples, situados geralmente perto da gua, embora alguns se encontrem em buracos do solo ou no oco das rvores: so 
atapetados de penugem arrancada do peito. Os patos arborcolas das regies tropicais e subtropicais fazem o ninho nas rvores. As posturas so de dez e doze ovos. 
Os recm-nascidos so capazes de andar e at nadar, logo aps a ecloso.
  difcil distinguir,  primeira vista, os patos de superfcie dos que so mergulhadores, pois naqueles existe uma mancha de cor nas asas, que se designa por "espelhos", 
e , em geral, semelhante nos dois sexos; a sua forma frequentemente, permite identificar as espcies.
 O pato bravo mais comum  Anas Platyrhynchos, conhecido em Portugal por "pato-real" ou "adm".  a espcie mais difundida. Dele se aproveitam a carne e as penas. 
Deste pato derivou a grande maioria de variedades domsticas. O Tadorna tadorna,  de plumagem geral preta e branca, com a cabea e o pescoo verde, o peito castanho 
e o espelho verde. O Casarca ferruginea  de cor geral castanho-alaranjada. O pato-marreco, Anas crecca, espcie fluvial de pescoo curto,, tem voo rpido, com mudanas 
bruscas de direco e reviravoltas. No , porm, to rpido como rangedeira, A. discora, e com o pato-cor-de-canela, A. cyanoptera.
 O pato-assobiadeiro, Anas penelope, bem conhecido pelo seu assobio. O pato- -assobiadeiro americano, "wigeon", Anas americana, passa o Inverno no Sul. O pato "canvas 
back", Aythya vallisneria, outrora muito abundante,  considerado uma delcia em culinria. Reputao que se atribu pelo facto de se alimentar como uma espcie 
indgena. O pato-trombeiteiro, Spatula clypeata, que  muito frequente em todo o hemisfrio boreal, tem o bico grande, largo, espatulado, especializado para apanhar 
pequenos animais aquticos. Trs espcies lhe so aparentadas: Spatula rynchotis, S. platalea e S. capensis.
 O pato-de-olho-dourado, Bucephla clangula, o pato-da-islndia, B. albeola (B. islandica); a negrinha, Aythya fuligula; o
pato-marila, A. marila; o edredo, Somateria mollissima, e o
pato-negro, Oidemia nigra, so todos patos mergulhadores.
 Os machos de Bucephala tm um voo rpido e sibilante, pelo que lhes chamam "assobiadores". O pato-da-islndia, B. islandica, tem plumagem macia e densa, de tal 
modo que a cabea parece ter duas vezes o tamanho real. A fmea do edredo, como todas as patas, tapeta o ninho com penugem arrancada do peito.
 Os gansos so, em geral, maiores do que os patos; embora tenham o pescoo comprido, este no  to grande como o dos cisnes. Sob esse aspecto, so intermedirios 
entre os patos e os cisnes. A alimentao  essencialmente vegetariana, constituda por ervas, sementes e outras matrias vegetais. So aves notveis pelas suas 
extensas migraes.
  difcil distinguir nitidamente os patos, os gansos e os cisnes. O cisne, Coscoroba coscoroba, pode ser confundido com um ganso, mas seu bico no tem as caractersticas 
do ganso. Alm disso, no h diferena de plumagem nos dois sexos. O ganso cinzento, Anser anser, da sua espcie derivam os gansos domsticos.
 Os bernaches, ganso bravo, so aves de vrias espcies, com plumagem sombria e pequena corporatura. Existem outras espcies em diversas regies do Globo, mas apenas 
a duas nos referiremos:
os gansos anes, Nettapus auritus, "pato-orelhudo" do tamanho da galinha coc, que procuram o alimento mergulhando;
os patos-de-ferro, Plectropterus gambiensis [e a subespcie zambeziana, niger], de grande corporatura, de plumagem preta e branca, frequentemente nas regies pantanosas, 
e dotado de bico de cisnes e espores.
 O cisne  branco, em geral, excepto o da Austrlia, que  preto (Cygnus atratus), e o cisne branco de pescoo preto (Cygnus melanocoryphus),o cisne-mudo, Cygnus 
olor, e os cisnes assobiador e trombeteiro, respectivamente, C. columbianus e C. buccinator, so dotados de pescoo comprido, conseguem encontrar alimento no fundo 
das guas pouco profundas, sem necessidade de mergulharem. [O cisne-mudo vive em domesticidade e  utilizado como ave ornamental nos lagos dos jardins; o cisne-bravo, 
C. cynus, que raramente visita Portugal no Inverno,  dotado de voz, a qual se representa por "a-enk-a-enk".]


Falconiformes
 
 
 Os abutres (Catartdeos) americanos tm a cabea nua, o bico adunco, garras compridas e asas enormes. No tm voz propriamente dita, pois apenas emitem o assobio 
comparvel ao de uma serpente. O maior entre todos  o condor-gigante dos Andes, Vultur gryphus, de plumagem cinzenta, branca e preta, e ornada, no pescoo, de penugem 
branca formando gola. O corpo mede 1,20 metros de comprimento e a envergadura 2,75 metros; , pois, a maior ave da subclasse Carinates.
 A fmea pe um nico ovo em montes rochosos, alimentam-se essencialmente de despojos animais, mas, quando calha, no lhe escapam cabritos e borregos. O condor-da-califrnia, 
Gynogyps californianus - ave aparentada com o condor-gigante e, por vezes, ainda maior do que ele -, era outrora muito andante.
 O rei-dos-condores, Sarcorhampus papa, [ conhecido no Brasil por urubu-rei],  ornado de cores mais ou menos vivas, laranja, carmesim e violeta, na cabea e pescoo, 
creme nas regies inferiores, contrastando com o preto, nas penas das asas e da cauda. O urubu, aura ou galinao, Cathartes aura,  uma ave negra e castanha, de 
cabea vermelha, que mede 75 centmetros de comprimento. [No Brasil est representada pela subespcie ruficollis, conhecida vulgarmente por urubu-caador.]
 As Rapaces propriamente ditas so caracterizadas pelo bico curto, forte e cortante e cuja mandbula superior  encurvada para baixo, em forma de gancho. Os quatro 
dedos de cada p so armados de garras fortes, que permitem segurar as presas, servindo de bico para as matar e lhes retalhar as carnes. Renem-se aos casais, a 
fmea geralmente maior que o macho. Os filhos quando nascem esto cobertos de penugem e so incapazes de se bastar a si prprios.
 O grupo de guias abrange igualmente os aores, gavies, peneireiros, tartaranhes, guinchos, gipaetos, milhafres, etc.
 A Repace mais primitiva  o Gymnogenys typus, que se alimentam exclusivamente de rs e lagartos. Os tartaranhes, de que existem numerosas espcies, so de compleio 
delicada e tm as penas da regio facial dispostos em disco, lembrando as dos mochos. Alimentam-se predominantemente de pequenos mamferos, rpteis, aves e insectos, 
que caam em voo quase rasante no solo. No tartaranho-azulado, Circus cyaneus [sedentrio em Portugal], o macho adulto  cinzento-azulado e difere totalmente da 
fmea e do macho juvenil, que tem plumagem castanha por cima e fulva por baixo, com penas de riscas negras. O tartaranho-ruivo-dos-pauis, Circus aeruginosus,  
castanho por cima. O C. pygargus, ou tartanho-cinzento [em Portugal,
guia-caadeira], o macho  cinzento-azulado com malhas pretas e cinzentas, ao passo que a fmea  de cor castanho-escura. O tartaranho dos pauis da Amrica, C. 
hudsonius,  semelhante ao cyaneus da Europa.
 Os aores so grandes gavies de asas curtas, notveis pela sua coragem e potente voo. Caam a presa e perseguem-na a toda a velocidade, regulando o voo em todas 
as voltas e nos desvios mais abruptos. O aor-das-pombas, Accipiter gentilis, e o aor americano, da mesma espcie, so os mais conhecidos.
 Uma espcie australiana, Accipiter novae-hollandiae, tem plumagem completamente branco puro. Prximo deste esto o A. nisus [conhecido em Portugal por rapino], 
o A. minullus, e o A. cooperi.
 O Buteo lembra muito pequenas guias, quer pelo seu habitat, quer pelo voo alto. So espcies caractersticas deste gnero o B. buteo [conhecido em Portugal por 
guia-de-asa-redonda] e o B. erythronotus, de dorso castanho.
 As harpias tm bico extraordinariamente forte e garras robustas e so caracterizadas pela dupla poupa que tm na cabea. A harpia feroz, Harpyia harpyia tambm 
conhecida por winged wolf (lobo alado). Alimentam-se de raposas, macacos, crias de ungulado e leites. As Hapyopsis novae-hollandiae, se alimentam de cangurus arborcolas, 
e a Pithecophaga jefferyi,  conhecida por
guia-papa-macaco.
 O Gypaetus barbatus, ou abutre-dos-borregos, vive nas regies montanhosas [a subespcie grandis,  rara em Portugal]. Mede 1 metro de comprimento e tem cerca de 
3 metros de envergadura. Tem plumagem dorsal predominantemente negra e a ventral fulva, mas a cabea  quase toda branca; na parte inferior do bico, um feixe de 
pena, formando uma espcie de barba,  qual alude o nome especfico. Alimentam-se principalmente de despojos animais.
 As guias podem dividir-se em dois grupos:
As guias propriamente ditas, cujas pernas (tarsos) so revestidas de penas, e as de penas nuas. 
Umas e outras caracterizam-se pela sua fora, vista penetrante, mas sobretudo pelo voo poderoso, que atinge velocidade superior  das outras aves e que pode ser 
planado em trajectos circulares a grande altitude. Os ninhos so construdos em rochedos a pique ou em altas rvores, mas tambm, por vezes, em stios muito baixos, 
mesmo ao rs da terra. Os filhos, aps a ecloso, so alimentados pelos pais, durante 4 a 5 meses.
 As guias propriamente ditas alimentam-se de despojos animais ou de presas, tais como glinceos, lebre, coelhos ou, por vezes, de algum borrego dente. A guia-real, 
Aquila chrsaetus, se expande pelo hemisfrio boreal. O seu nome alude s penas da cabea e do pescoo, que so amarela-acastanhadas. [Em Portugal, est representada 
pela subespcies occidentalis.] A guia imperial, Aquila heliaca, tem plumagem castanho-escura com branco nas esptuas. Os jovens so completamente escuros, mas, 
ao fim de alguns anos, a cabea e o pescoo embranquecem e, mais tarde, tambm a cauda se torna branca.
 s guias cerdadeiras devem-se juntar ainda as seguintes: Hieraaetus fasciatus, Spizaetus e Laphoaetus, e Ictinaetus. Esta ltima, I. malayensis, tem um hbito 
de se alimentar especial, em grande parte, de ovos e de ninhegos, chegando a levar pelos ares fora, nas suas garras, os prprios ninhos que pihlha.
 As guias de pernas (tarsos) nuas abrange, os pigargos (Haliaetus), guinchos (Circaetus), buzo (Buteo) e a ave muito bizarra, que  o Teratopiu ecaudatus. O maior 
de todos  o pigargo de Steller, Haliaetus pelagicus, que mede mais de 1 metro de comprimento. Muito aparentado com ele  o pigargo da Amrica, onde lhe chamam "guia-de-cabea-bra
nca, H. leucocephalus. Os pigargos alimentam-se de peixes e aves marinhas. assim como despojos animais.
 Os Circaetus, de entre os quais se pode citar o guincho-da-tainha, C. gallicus, e os Buteo, tais como a chamada
"guia-de-asa-redonda", B. buteo, alimentam-se principalmente de serpentes e de outros rpteis, insectos, carangueijos, peixes, ras, aves e mesmo pequenos marinhos. 
Os milhafres propriamente ditos tm as asas compridas e a cauda bifurcada; o bico e as penas so fracos e apenas capazes de raptar pequenas presas, insectos, pequenas 
aves e detritos orgnicos. O milhafre-rabo-de-bacalhau, Milvus milvus, era outrora um agente de limpeza na Grande Bretanha, como o  ainda, no subcontinente indiano, 
o milhafre m. govinda.
 Aves a que se aplica o nome milhafre: Ictinia mississipensis, ave escura; Elanus caeruleus, milhano-de-asa-presa; e o Elanoides forficatus.
 Os falcoes-cucus (Aviceda) so de muitas espcies, todos dotados de poupa e de dois entalhes no bico, com o A. cuculoide.
 O tartaranho-das-vespas, Pernis apivorus,  tambm milhafre. Alimenta-se de insectos e pequenos rpteis e ataca, por vezes, os ninhos das vespas [e no das abelhas, 
apivorus] assim como dos abelhes para comer as larvas, mas no despreza pequenas aves e mamferos. Uma outra espcie, Macherhamphus alcinus, est especializada 
na caa, ao crepsculo, de morcegos, andorinhas e andorinhes, que chega a engolir mesmo voando. As guias pescadoras do gnero Ichthiohaga, alimentam-se de peixes.
 A guia-pesqueira ou aurifrsio, Pandion haliaetus, mede 60 centmetros, tem as asas muito compridas e grandes garras; a cabea  branca, assim como todas as regies 
inferiores do corpo. Frequenta lagos e cursos de gua, na proximidade das florestas, ou as falsias  beira-mar, alimenta-se de peixe, que apanha com as garras, 
lanando-se de grande altura, depois de haver rondado at descobrir a presa. Por vezes, depois de ter a vtima nas suas garras e antes de a devorar, ainda continua 
a rondar por largo tempo em voo planado. o ninho, volumoso,  constitudo com ramagem sobre um tronco de rvore ou numa eminncia rochosa, continuando a melhor-lo, 
engrandecendo-o, de ano para ano. Os Pandion so conhecidos por fish hawks (falcoes-pescadores).
 Os abutres propriamente ditos ocupam o lugar que os condores tm no Novo Mundo. Como as garras so curtas e rombas, raramente atacam animais vivos, alimentando-se 
prefeitamente dos seus despojos. O abutre-preto, Aegypus monachus, tambm conhecido por pica-osso, tem vida solitria, excepto no perodo de reproduo. O grifo, 
Gyps fulvus, reproduz-se, pelo contrrio, em colnias. Alm destas espcies, cita-se o abutre do Himalaia, Gyps himalayenss, e o abutre do Egipto, Neophron percnopterus 
[tambm conhecido em Portugal por britango].
 Os falcoes (Falcondeos) tem asas pontiagudas, bico curto e adunco, com denticulaes na mandbula superior. Em geral, capturam a presa voando e caindo sobre ela.
 So realmente falcoes as seguintes espcies:
                 Esmerilho, Falco columbarius - alimenta-se de pequenas aves, como cotovias e petinhas;
Falco taragote, F. subbuteo - tem asas compridas e estreita forma de foice,  rpido e gracioso e captura andorinhas em pleno voo;
Peneireiro, Falco tinnunculus - consegue imobilizar-se no ar, espia a presa e, quando localizada, lana-se sobre ela;
Gerifalto-branco, Falco rusticolus; 
Alfanaque, Falco biarmicus - reproduz-se na regio das Pirmides.
Falco-real, Falco peregrinus -  notvel pela sua rapidez e potncia de voo.

 O tamanho dos falcoes varia entre 15 centmetros, no falco-pigmeu, Microhierax coerulesceus, e 60 centmetros no falco-sagrado, Falco cherrug, cuja fmea  maior 
do que o macho. Os falcoes aninham, nas falsias rochosas, nas runas de edificaes e mesmo nas rvores.
 os caracars, onomatopaico, so aves principalmente terrestres, com hbitos semelhantes as dos abutres. As suas penas compridas permitem-lhes correr com facilidade 
e tm os dedos parcialmente palmados, o que os ajuda a procurar alimento - ras, rpteis, aves e mesmo detrito orgnicos - em terrenos lodosos ou pantanosos. A pele 
das faces e da garganta  nua e matizada de cores vivas. O carancho, Polyborus plancus, ou caracar comum, o chimango ou carrapateiro, milvago chimango, o caracar-tinga, 
milvago chimachima, so bem conhecidas no Brasil s quais se podem juntar o caracar-preto ou gralho, Daptrius ater, que se assemelha a um urubu, e o caracar dos 
Estados Unidos, polyborus cheriway.
 A ave parecida com as de rapina  o serpentrio ou secretrio, Sagittarius serpentarius, tem 1,20 metros de altura. A sua cor geral  cinzento-claro, mas as pontas 
das asas e os "cales" so pretos, que contrastam com a cor cinzenta dos longos tarsos nus. Na cauda, salientam-se duas longas penas mdias estriadas, na extremidade 
de preto e branco. O secretrio tem, na cabea uma caracterstica donde lhe provm o nome, constituda por um comprido penacho, cujos elementos componentes fazem 
lembrar as penas de pato que os antigos escriturrios usavam e punham em descanso atrs da orelha! Estas aves passam todo o dia no solo e andam mais depressa do 
que um homem a correr, mas tambm podem voar, cortando o ar, com a cabea estendida para a frente e as penas para trs. Alimentam-se de lagartos, serpentes, aves 
e pequenos mamferos, que esmagam com os ps com tanta rapidez que uma serpente venenosa no tem sequer tempo de se defender!


Galiformes
 
 
 So aves relativamente grandes, de corpo arredondado, pernas robustas com dedos providos de unhas fortes. So capazes de marchar e correr como de esgaravatar o 
solo, para desenterrar sementes, razes e insectos. O dedo posterior existe sempre. Os recm-nascidos, cobertos de macia penugem, so capazes de andar e de se alimentar 
por si mesmos, logo ao fim de 12 a 48 horas.
 A ordem dos Galiformes divide-se em duas subordens:
Peristerpodes (que compreende os Megpodes, Cracdeos e famlias afins). - tem dedo posterior no mesmo nvel dos outros dedos.
 Os Megpodes, cujo seu nome provm do grande tamanho dos ps, abrange os cateturos e os lepoas, ou construtores de tmulos. Seu tamanho oscila entre o do pombo 
e o do peru, tm plumagem geral de cor discreta, mas com um certo nmero de ornamentos de cores vivas. Estas aves so notveis, principalmente pelo facto de construirem 
uma espcie de tmulos na selva, constitudo por grandes amontoados de substncias vegetais mveis, depondo a os seus ovos, enterrando-os. Graas ao calor desencadeado 
no hmus em putrefaco, os ovos so incubados e os filhos nascem j emplumados desenvolvidos e criam-se sem que os pais cuidem deles. No entanto, as aves voltam 
aos mesmos "tmulos", utilizando-os em geraes sucessivas e aumentando-os progressivamente de tamanho, chegando a medir 42 metros de permetro, na base. Algumas 
espcies como os Megacfalos, Mecrocephalon maleo, das Celebes, que tm na cabea um tubrculo ornamental nu, escavam buracos na praia, logo acima do nvel limite 
das mars, onde pem os ovos em intervalos de 10 a 12 dias.
 Embora aparentados com os Megpodes, os Cracdeos tm hbitos muito diferentes. Alimentam-se de frutos que se desenvolvem em altura e constrem ninhos de ramagem 
das rvores. Em geral, descem ao solo, pelo meio-dia, para caarem insectos. O hoco-de-poua, Crax alector,  caracterstico do grupo. Mede cerca de 90 centmetros 
de comprimento,  negro luzidio e tem uma poupa de penas encaracoladas. Certas espcies, como C. carunculata, tm carnculas e barbilhos de cores vivas.
 [No Brasil, existem nove espcies do gnero Crax, uma do gnero Nothocorax e duas do gnero Mitu, todas conhecidas pelo nome comum de "mutuns". Exemplos:
 1 - Crax blumenvachi "mutuns vulgar";
 2 - Mitua mitu "mutuns-caval", etc.
 Pertencem tambm a esta famlia os jacus (Penelope), assim chamados no Brasil.]
 O "hoatzin", Opisthocomus hoatzin (o qual os brasileiros chamam "cigana"],  a espcie nica da famlia dos Opistocomdeos, ave semelhante aos jacus, que vive 
na Amaznia, sempre  beira de rios e lagos, empoleirando-se nas rvores, onde se alimenta de folhas e frutos. Embora as asas sejam compridas, o voo  fraco e desajeitado. 
A sua plumagem  olivcia, por cima, malhada de branco e vermelho-bao por baixo, o longo topete e a margem posterior da cauda so amarelados. O ninho  construdo 
numa moita ou num ramo descado, acima da gua,  uma plataforma. Os filhos, desde que nascem, trepam pelos cips e ramagens, valendo-se, no s dos ps e dos bicos, 
como os papagaios, mas tambm das garras dos dois primeiros dedos das asas, nesta fase, lembram mais rpteis do que aves.

Alectorpodes ou Galiformes propriamente ditos (vulgarmente conhecidos por galinceos). - tem dedo posterior em nvel mais elevado do que os outros trs dedos e 
enorme nmero de espcies repartindo-se por duas famlias, a dos Fasiandeos, como os faises, perdizes, pintadas, paves, codornizes, galos e perus, e a dos Tetraondeos, 
como os tetrazes e afins.
 As espcies da famlia dos Fasiandeos tm os tarsos nus ou apenas parcialmente emplumados.
 As mais belas de todas as perdizes-de-poupa so oreortyx pictus, tambm conhecidas por "codornizes-das-montanhas", macho e fmea ornados de um belo penacho na cabea, 
e a
perdiz-da-califrnia, Lophortyx californica. O Colinus virginianus,  a espcie favorita dos caadores.  uma pequena ave rolia, de plumagem castanha e moscada, 
que se harmoniza bem com o ambiente. Vive em bandos e alimenta-se de insectos e sementes.  uma espcie muito polfica, contendo cada postura cerca de 12 a 18 ovos.
 Os faises e seus similares - paves, pintadas, galos, codornizes propriamente ditas e perus - no tm mandbula denticulada. Excepto, nos verdadeiros faises, 
a estrutura das asas, nas aves deste grupo, no  favorvel ao voo, pois as rmiges so em geral demasiado curtas. Em regra, a cauda  bem desenvolvida.
 O peru vulgar, Meleagris gallpavo, procura seu alimento no solo e se recolhe,  noite, nas rvores. Da raa mexicana derivou o peru domstico. O mais belo de todos 
 o peru-das-honduras, Agriocharis ocellata, de formosa plumagem de reluzente brilho metlico.
 As pintadas, galinhas-do-mato,tm corpo arredondado e cauda curta e descada; a sua plumagem  preta e azulada, malhada de branco. As mais vulgares so aquelas 
cuja cabea  ornada de casquete crneo [Numida meleagris]. As de poupa [como a Guttera edouardi] so menos frequentes e mais ligadas s zonas florestais.
 Os paves da sia so de duas espcies: o pavo-azul, Povo cristatus, e o pavo-verde, Pavo muticus. No primeiro, o penacho exstente no alto da cabea  constitudo 
por apenas reduzidas ao rquis, mas, apenas ornado por um tufo terminal de brbulas, no segundo, todo o comprimento do rquis  revestido de barbas. O maravilhoso 
leque dos paves  formado por tectrizes dorsais consideravelmente alongadas e no pelas rectrizes constituintes da cauda, a qual s  visvel quando o leque est 
aberto, isto , em plena expanso radical. 
 [O pavo-do-congo, Afropavo congensis,  mais pequeno do que os paves da sia. Parece representar um tipo intermdio dos paves e das pintadas.]
 No pavo-da-china ou pavozinho-de-malaca, Polyplectrum chinquis, o macho tem dois, trs ou mesmo quatro espores em cada tarso. A fmea dissimula os seus filhos 
debaixo da cauda, amplamente expandida, quando os conduz  procura do alimento. Os pingos surgem logo que recebem o sinal da me para se alimentarem, mas refugiam-se 
de novo debaixo da cauda logo que acabam de comer.
 O argo-gigante ou argode-samatra, Argusianus argus, no tem cores sumptuosas do pavo, mas o macho  notvel pelo extraordinrio desenvolvimento das suas rmiges 
secundrias, muito grandes e ornadas de sries de ocelos. Quando as asas esto abertas, a ave fica completamente coberta por elas.
 Os galos selvagens, como o de Bankiva, Gallus gallus, so os nicos fasiandeos com crista carnuda. Aps a muda da plumagem, a beleza do macho passa por uma fase 
de eclipse menos acentuada do que dos patos. Desta espcie originaram-se as raas domsticas.
 O faiso dourado, Chrysolophus pictus,  uma ave muitssimo bela, dotada de plumagem vistosa, de oiro e vermelho, e cauda duas vezes mais comprida do que o corpo.
 Os verdadeiros faises, Phasianus e Calopharis, e o faiso comum, Phasianus calchicus, so aves que se alimentam de sementes, bagas e insectos. Empoleiram-se nas 
rvores, mas fazem seus ninhos em simples escavaes no solo, onde a postura atinge 10 a 14 ovos. Os pintos eclodem em estado avanado de desenvolvimento, e desde 
logo so capazes de procurar alimento. Existem numerosas espcies de faises muito semelhantes quanto  forma e aos hbitos, diferindo apenas em pormenores de plumagem. 
Vivem em elevadas altitudes, mas descem s florestas de nveis mais baixos, onde, em bandos, passam o Inverno.
 O faiso-verde-claro, do gnero Ithagnis, no Inverno, chega a formar bandos de uma centena de indivduos.
 O mais magnfico de todos  o faiso resplandecente, Lophophorus impejanus, com a sua plumagem metlica, azul, verde e violeta, vermelho-acastanhado na curta cauda 
e verde nas longas penas que lhes constituem o topete. No faiso-de-bulwer, Lobiophasis bulweri, o macho no tem poupa mas  ornado de carnculas, torna-se evidente 
o nmero de penas brancas: 32 no macho e 28 na fmea. O velho faiso venerado, Syrmaticus reevesi, pode atingir o comprimento de 1,50 metros.
 Da mesma famlia dos faises fazem parte as aves de interesse cinegtico Perdix, mas, sem excepo, tm as primeiras rmiges mais compridas ou to compridas como 
a dcima, e a cauda  curta; so vulgarmente conhecidas por perdizes, codornizes e francolinos.
 A perdiz-cinzenta, Perdix perdix, [rara em Portugal, onde a perdiz comum  Alectoris rufa],  uma ave terrcola, de corrida rpida e ao sentir-se ameaada, comea 
por se agachar no cho, levantando-se depois com grande agitao de asas e um grito agudo. Tem hbitos sociais e alimenta-se de cereais, ervas, rebentos verdes, 
insectos e mesmo outros pequenos animais.
 A codorniz comum, Coturnix coturnix,  uma avezinha cor de areia, cujo comportamento se assemelha ao da perdiz. Algumas so sedentrias, mas a grande maioria emigra. 
As chamadas "codornizes-anas", do gnero Excalnas, medindo cerca de 15 centmetros e chegam rapidamente  maturidade. Os filhos so capazes de voar logo ao fim de 
uma semana - quando ainda no tm mais de 4 centmetros - e atingem o tamanho dos pais ao fim de seis semanas apenas. As perdizes arborcolas, do gnero Arborophila, 
embora se alimentem no solo, empoleiram-se nas rvores, onde se refugiam desde que se sentem em perigo. As perdizes do gnero Melanoperdix, so pretas, de um preto 
luzdio; outras, como a de cabea carmesim, Haematortix, so ornadas com um topete em forma de leque, feito de penas vermelho-escuro.
 Os francolinos (Fracolinus) e seus aparentados repartem-se por cerca de cinquenta espcies. Sua plumagem  de tipo semelhante ao das outras perdizes. Um dos maiores 
 o francolino-do-cabo, F. capensis.
 A perdiz das neves (Lerwa), habita em altitudes entre 3000 e 4000 metros, s desce a alturas menores quando a isso as tempestades de neve as obrigam.
 Os representantes da famlia dos Tetraondeos tm as narinas completamente cobertas de penas, e as pernas tambm so parcialmente revestidas de plumagem no grebul 
(Tetraste) ou totalmente nos tetrazes (Tetrao),, mas so desprovidas de espores. Nas perdizes-brancas (Lagopus mutus), os prprios dedos so cobertos de penas.
 As mudanas sazonrias da plumagem acentuam-se mais em certos membros desta famlia do que em qualquer outra, quer aps uma muda ou por substituio gradual de 
penas usadas, quer por desgaste da extremidade das penas velhas
 Os tetrazes so os grandes representantes da famlia. O tetraz comum, Tetrao urogallus,  o mais caracterstico, o macho adulto mede cerca de 90 centmetros;  
uma ave robusta, de plumagem cinzenta-escura, com o peito verde-metlico, pernas emplumadas at aos dedos, bico branco, robusto e curvo. A fmea  mais pequena e 
de cor castanha. Durante a sua corte nupcial, o macho abre a cauda em leque e ostenta a sua gola de penas, o que, com o crculo vermelho em volta dos olhos, lhe 
confere um aspecto imponente. Os tetrazes empoleiram-se e alimentam-se de folhas e rebentos novos de pinheiros. O seu voo  poderoso, mas no o pode manter muito 
tempo, alternando o bater das asas com voos planados.
 O maior dos Tetraondeos americanos  o Centrocercus urophasianus, a que chamam sage grouse, que se alimenta de selva brava e voa ao modo dos tetrazes. O frango-das-pradarias, 
Timpanuchus americanus, j rareia ou falta em muitos lugares da sua rea, mas, pelo menos, no teve a pouca sorte da galinha-dos-matos, Tetrao cupido, que se extinguiu.
 Uma outra espcie de galo silvestre, muito formosa, Bonasa umbellus, tem uma gola de plumagem em leque, de cada lado do pescoo. Durante a sua dana nupcial complexa, 
emite um som de tambor, esse som  produzido pelo bater rpido das asas.
 Existem duas espcies de galo silvestres, os Anglo-Saxes chamados black grouse, como o tetraz-lira, Lyrurus tetrix, e o Cucaso, L. mlokowiewiczi. O macho tem 
plumagem brilhante, preto-azulado, com um crculo vermelho em volta dos olhos e cauda em forquilha, liriformes. A fmea  de cor castanho-escura. Estas aves alimentam-se 
de rebentos novos das plantas das charnecas, frutos, cereais e insectos.
 Os lagpodes brancos, Lagopus lagopus e L. mutus, so notveis pela mudana sazonria completa de cor da plumagem.
O lagpode vermelho, L. scoticus, muda tambm totalmente de plumagem, mas no de uma maneira to espectacular como nas outras duas espcies. O que nessa espcie 
interessa notar  que o macho e a fmea mudam de plumagem em pocas diferentes do ano.


Tinamiformes
 
 
 Os inhambus [assim se designam no Brasil os Tinamdeos] so aves terrestres que raramente se empoleiram; quando perturbadas, voam a toda a fora para longa distncia, 
antes de descerem no solo em voo plano. So, porm, excelentes corredoras. O ninho  constitudo por uma depresso escavada no solo, revestida de vegetais secos, 
e, como nas Ratites, o macho encarrega-se de incubar os ovos.
 O inhambu mais conhecido  o Rhynchotus rufescens do Brasil, vulgarmente chamado "perdiz-grande". [Esta ordem est largamente representada no Brasil pelos macacos 
(Tinamus), ihnambus e jas (Crypturellus e Toniscus), "perrdizes" (Rhynchotus) e cadornas ou "codornizes" (Nothura).]


Gruiformes
 
 
 Os grous assemelham-se s cegonhas ou s garas, embora a sua anatomia seja diferente. A diferena principal  que as narinas, interiormente, no esto separadas,, 
por septo sseo. Uma outra diferena diz respeito aos recm-nascidos, que so capazes de se bastar a si prprios.
 Os grous (Grudeos) so aves imponentes, de pescoo e pena muito compridos e plumagem geralmente cinzenta ou branca, com zonas coloridas na cabea. As rmiges internas 
constituem penas ornamentais do comrcio. O bico  comprido e robusto, servindo para desenterrar sementes, razes, tubrculos e vermes. H cerca de vinte espcies, 
provenientes de vrias partes. No seu voo mantm as penas estendidas para trs. O seu grito caracterstico  uma espcie de toque de clarim, produzido pela ave com 
a cabea deitada para trs. Tm a mania de danar.
 O grou-cinzento, Grus grus, mede at 1,20 metros de comprimento. Da seduo faz parte uma dana complexa, em que o macho e a fmea fazem mesuras, saltitando e volteando. 
O ninho, muito grande,  construdo de ervas e juncos. O grou-de-carncula, Bougeranus carunculatus,  uma espcie carnvora, cinzento-azulado, com uma coroa branca 
e algumas manchas brancas e algumas manchas pretas; vive, em geral, em plancies subdesrticas, por vezes longe da gua.
 O grou-coroado, Balearica pavomina, possui um topete de penas filiformes amarelas e brancas, torcidas em hlice, e pretas na extremidade. A espcie mais elegante 
dos grous  a demoiselle ou grou-da-numdia, Antropoide virgo, mede cerca de 75 centmetros de comprimento;  de cor cinzento-violceo, com longas penas negras no 
peito e tufos de penas brancas de cada lado da cabea.
 Os Aramdeos (Aramus), pelo seu aspecto exterior, maneira de voar e hbitos gerais, parecem-se muito com os frangos-de-gua (Rallus). Fazem seus ninhos nos juncais 
e pem ovos semelhantes aos dos frangos-de-gua. Tm o bico muito comprido e, pela sua anatomia, lembram muito os grous.
 O Aramus scolopaceus [que os brasileiros designam pelo onomatoico "caro"],  uma espcie conhecida por diversos nomes: viva-louca, galinha-cacarejante, ave-chorona. 
Em virtude dos seus gritos lancinantes, tem plumagem castanha e mais ou menos raiada. Assim como uma outra espcie, A. giganteus.
 H uma meia dzia de espcies de aves trombeteira ou agamis, da famlia dos Psofideos, das quais a mais caracterstica  Psophiacrepitans [no Brasil conhecida 
por "jacamim-de-costas-cinzentas"]. Vivem nas florestas hmidas, em bandos, mas so fceis de domesticar. A sua plumagem  preta com uma irisao verde-amarela ou 
violcea no pescoo e peito. As penas e o pescoo so compridos. [No Brasil, conhece-se como espcies principais, o jacamim-de-costas-brancas, P. leucoptera, e a 
sua variedade de costas amarelas, P. l. ochroptera, o jacamim-de-costas-pretas, P. viridis obscura, etc.]
 Os frangos-de-gua, da famlia dos Raldeos, vivem nos bosques densos, o corpo  lateralmente comprido, ao qual as asas se ajustam perfeitamente. As penas e os 
dedos so compridos e, embora sejam aves bem adaptadas a viver no solo, algumas espcies so migradoras, capazes de longos voos, Na sua maioria, so bons nadadores, 
embora no tenham os ps com palmuras.
 Na Europa, os frangos-de-gua propriamente ditos so representados pelo Rallus aquaticus, pelo Crex crex e pouco mais. Uns e outros tm plumagem sombria, so tmidos 
e discretos. So aves de cores mais vivas, agressivas, e fazem a corte abertamente.
 Um certo nmero de espcies perdeu a faculdade de voar, a Habroptila wallacei, e o Ocydromus, tambm incapaz de voar, ameaados de extino. A Leguatia gigante, 
que media 1,80 metros de altura, j est extinto.
 As galinhas sultanas so mais vistosas, tm dedos compridos e um escudo frontal na base do bico. O Notornis mantelli, o "moho" ou "takehe", que se julgava ter desaparecido 
no sculo passado, ainda vive actualmente.
 A galinha-de-gua, Gallimula chloropus est ornamentada de cores menos vivas e pode distinguir-se da franga-real o galeiro pelo seu escudo frontal, pois, nesta, 
Fulica atra, o escudo  branco. Esta ave e a Fulica americana, so em geral de cor cinzento-ardsia.
 Os Heliorntdeos so aves aquticas, Heliornia, Podica ou Heliopais, parecendo com os mergulhes, mas realmente aparentados com os Rallus, so capazes de correr 
e de se empoleirar.
 Os Rinoquetdeos so representados por uma nica espcie: o kagu, Rhinochetos jubatus.  cinzento-ardsia, com riscas brancas, pretas e vermelhas nas asas, dissimuladas 
quando em repouso; o bico e as penas so de cor vermelho-alaranjada. Parece-se com a gara, mas manifesta afinidades de parentesco com os frangos-de-gua e caurais.
 Uma outra famlia, a dos Euripgios, abrange duas espcies, o caural-sol, Eutrypyga helias, e o grande-caural, E. major, ave com o aspecto dos frangos-de-gua, 
de plumagem diversamente riscada e variada de castanho, branco, preto e fulvo, aninham em rvores.
 A famlia dos Cariamdeos, representada por Cariana cristata, so aves de grande corporatura, de pernas longas e a plumagem  cinzento-amarelada, castanho-escuro 
no dorso; a parte inferior do corpo  raiada. Na parte anterior da cabea existe um topete esparso; o bico e as penas so vermelhas e a ponta da cauda  branca. 
No conjunto, lembram serpentrios e, como eles, matam as suas vtimas, principalmente ratos, esmagando-os com os ps. [A seriema alimenta-se tambm de insectos, 
surios, pequenos mamferos e aves; luta com as serpentes]. A sua anatomia interna  semelhante  dos frangos-de-gua e dos grous.
 As abetardas (Otdeas) tm corpo pesado e grosso, penas robustas e dedos fortes. Voam bem e correm com agilidade. A grande abetarda, Otis tarda,  uma ave que mede 
cerca de 1,20 metros de comprimento. Durante a sua corte nupcial, o macho abre a cauda em leque, inclinada sobre o dorso, assim mantida com a ajuda de certas penas 
das asas.
 Outras penas eriam ento em volta do pescoo de modo a formarem uma extensa gola que se prolonga pelo dorso. A cabea, assim como o comprido pescoo, extraordinariamente 
dilatado, reclina-se entre as esptuas.  nessa atitude que o macho se pavoneia e se exibe perante a fmea.


Caradriiformes
 
 
 Os representantes desta ordem diferem uns dos outros, pelo tamanho, forma e cor. Um grande nmero de espcies abrangidas manifesta uma ntida mudana de plumagem 
do Inverno para o Vero. Os ovos so sumptuosamente coloridos, e a postura, geralmente quatro ovos,  feita num ninho apenas constitudo por uma escavao no solo. 
Os filhos recm-nascidos tm uma penugem cuja colorao, como a dos ovos, se harmoniza com o ambiente.
 Embora aparentados com a pildras ou douradinhas (Pluvialis), os jaanas (Jacandeos) parecem-se exteriormente com os frangos-de-gua (Rallus); so pernilongos e 
tm dedos desmedidamente grandes, que lhes permitem correr sobre as folhas dos golfes e outras plantas aquticas, sem submergirem exemplo: o jaara africano, Actophilornis 
africanus].
 O ostraceiro, Haematopus ostralehus, da famlia dos Hematopoddeos,  uma ave ribeirinha, preta e branca, com bico alaranjado brilhante e ps carnudos, que se alimenta 
de vermes e moluscos.
 A famlia dos Caradrideos  mais extensa, como o mais comum de todos,  o abibe ou abecoinha, Vanellus canellus, de plumagem luzidia, verde e branca, e com uma 
poupa erctil. Seu regime alimentar  constitudo quase exclusivamente de insectos nocivos. So aves migradoras.
 Uma outra espcie, a pildra-dourada-americana (Pluvialis dominicus), se trata de aves com menos de 30 centmetros e  de assinalar que ela se finge ferida para 
proteger o seu ninho. O kildir, Oxyechus vociferus, uma pildra de colar, recorre tambm  mesma astcia.  uma ave de cor castanho-acinzentada por cima e branca 
por baixo, que mede 25 centmetros, tem a rabadilha avermelhada e duas riscas negras na cabea e no pescoo. Emite uma espcie de grito gemebundo e pungente, que 
se repete quando se v forada a abandonar o ninho, foge correndo, batendo as asas e chorando como se estivesse dolorosamente ferida, tentando deste modo afastar 
o intruso de ao p dos ovos e dos filhos.
 A pildra-de-bico-torto, Anarhynchus frontalis, tem bico assimtrico. O tui-tu- -espinhoso, Hoplopterus spinosus, tem espores nas asas e se alimenta dos parasitas 
que encontra nas gengivas. A galinhola e a morcega (Escolopacdeos) reconhecem-se facilmente pela sua cabea redonda, olhos grandes, situados muito alto, e pelo 
longo bico, sensvel e flexvel. A plumagem  variada e harmoniza-se notavelmente com a vegetao que forma o seu habitat normal.
 A galinhola, Scoropax rusticola,  variada de preto, castanho, cinzento e fulvo; tacteia o solo com o bico sensvel para a descobrir os insectos de que se alimenta. 
A narceja americana, Phiobela minor,  mais pequena, embora de aspecto e costumes semelhantes.
 O combatentes, Philomachus pugnax,  notvel pelos seus hbitos de reproduo. Na poca de procriao, o pescoo do macho  ornado de enorme gola de penas, que 
se distende na ocasio da dana nupcial.
 A rola-mar, Renaria interpres, ave ribeirinha muito comum, conhecida por "vira- -pedra" que alude ao costume de voltar as pedras para se alimentar de pequenos crustceos 
que debaixo delas se escondem. O alfaiate, Recurvirostra ovosetta, e o pernilongo, Himantopus himantopus, e espcies afins, da famlia dos Recurvirostrdeos, tm 
as penas desmedidamente compridas, e aquele  dotado de bico tambm muito comprido e recurvado para cima. Alimentam-se, baloiando a cabea,  esquerda e  direita, 
para debicar tudo o que, na vasa, possa ser comestvel.
 Os falaropos, aves da famlia dos Falaropdeos, tm dedos lobados e passam a maior parte do tempo na gua. O falaropo-do-bico-estreito, Phalaropus lobatus, e o 
falaropo-de- -trs-cores, Steganopus tricolor, so espcies muito representativas. A fmea  maior e tem plumagem mais viva, e, como muitas vezes acontece, o macho 
encarrega-se de chocar os ovos e cuidar dos filhos.
 Os Dromaddeos, representados por Dromas, diferem de todas as outras aves desta ordem pelo facto de que escavam profundos abrigos nas colinas arenosas, onde pem 
um grande ovo branco.
 Da famlia dos Burrindeos existe uma dzia de espcies. O alcaravo, Burhinus edicnemus, so aves nocturnas, com grandes olhos
 Os Glareoldeos so pequenas aves, afins das pildras ou douradinhas. A chamada "ave-dos-crocodilos", como o tui-tu, procura parasitas na boca dos crocodilos, mas 
o nome de "ave-dos-crocodillos"  destitudo de fundamento. As andorinhas-do-mar (Glareola) nada se parece com as pildras, embora sejam com elas aparentadas, mas, 
pelo seu aspecto e hbitos, mais se assemelham s gaivinas; alimentam-se capturando insectos em pleno voo e correndo, so conhecidas por andorinhas-dos-pauis.
 Os Tinocoritdeos correspondem a algumas espcies com o aspecto dos Tinamdeos.
 Os Chiondeos, de que se conhece apenas trs espcies do gnero Chionis, so notveis pelo bico coberto de uma espcie da bainha crnea, donde o nome vulgar de 
"bico-em-bainha", e as asas esto armadas de espores. Constrem os ninhos com ramos secos entre os rochedos ou nas tocas dos petris. [Vivem na vizinhana dos pinguins 
(cotetos), de cujas criaes se alimentam.]


Lariformes
 
 
 [Esta ordem  um grupo cosmopolita, bastante homogneo, de aves aquticas e excelentes voadoras. So designados de Laro-limcolas.]
 Os estercorrios ou escuas (Estercorarideos), de cor geralmente escura, avermelhada, tornam-se parasitas de outras aves, que matam ou a que roubam as presas. H 
numerosas raas das grandes escuas (Stercorarius skua), como as do Atlntico Norte (Bonxi). Alimentam-se de petris e instalam-sse nos flancos das ilhas, como grandes 
aves de presa espreitando as vtimas.
 Outras espcies, como o S. longicaudus, S. parasiticus e S. pomarius, so aves que tm o estranho hbito de assaltarem gaivotas, gaivinas ou os gansos-patolas carregados 
de peixe e molest-los at ao ponto de os obrigar a largar a presa, a qual  logo recolhida ainda no ar pela salteadora. Na poca da reproduo, as trs espcies 
alimentam-se de lemmings [lemos, pequenos roedores], ovos, etc.
 As gaivotas ou alcatrazes (Larideos) distinguem-se das gaivinas, principalmente pelo seu bico forte e cauda direita, ao passo que as gaivinas so mais graciosas, 
um pouco menores e de cauda em forquilha, o que lhes confere o nome de andorinhas-do-mar.
 A gaivota-manto-de-veludo ou galfeira, Larus argentatus, como a maioria das outras gaivotas, alimenta-se de quase tudo o que se apresente vivo ou morto: mamferos, 
aves, ovos, peixe, moluscos, caranguejos, materiais vegetais, etc. A gaivota-de-manto-negro ou pardo-moiro, L. marinus, constitui perigo para todas as outras aves 
marinhas. A pequena gaivota-de-asas-negras, L. fuscus e a gaivota-burgomestre, L. glaucus, so espcies bem conhecidas. As gaivotas-de-cabea-escura na poca da 
reproduo esto representadas caracteristicamente pela garrincha, L. ridibundus. A gaivina ou andorinha-do-mar, Stern hirundo, tem o dorso de cor cinzemto-prola, 
as regies inferiores brancas e um capuz negro-esverdeado.
 As gaivinas [conhecidas no Brasil por "trinta-ris"] tm costumes sociais e reproduzem-se em grandes colnias, e ninhos que se reduzem a pequena depresso na areia.
 Os talha-mar, Rhynchops, tm mandbulas to delgadas como lminas de faca, a inferior mais comprida do que a superior [com a qual, voando ao rs da gua, "talham" 
o mar]. Por meio de um bico extraordinrio apanham peixes que nadam  superfcie.
 Os pinguins verdadeiros, da famlia dos Alcdeos [no confundir com os Esfenisciformes], de cor preta e branca e vivem sempre sobre o mar, excepto quando aninham 
nas falsias e ilhas rochosas, em grandes colnias. O seu corpo  arredondado, as penas so recuadas e sua atitude  semelhante  dos cotetos, ou falsos pinguins. 
No fazem propriamente ninho, visto que o ovo  nico, em geral,  posto sobre a rocha nua, ou, como no caso dos papagaios-do-mar, numa toca de coelho ou qualquer 
outro buraco no solo. O grande pinguim, Pinguinus impennis, ave incapaz de voar, mas excelente nadadora, extinguiu-se durante o sculo XIX. O air-ano, Alle alle, 
mede apenas 20 centmetros. O cerorrinco unicrneo, Cerorhyncha monocerata, tem uma espcie de cornicho na base do bico, durante a poca de reproduo.
 Os papagaios-do-mar, Fratercula arctic, so parecidos com os pinguins, tm um forte bico de papagaio, de cor laranja e azul, o qual, no perodo nupcial, aps a 
muda de plumagem, se reduz a cerca de metade do tamanho. A espcie Uanda cirrhata, difere de todas as outras espcies pela forte curvatura da unha do seu dedo interno; 
o bico  vermelho e coberto de estrias. O airo-negro, Urrria grylle,  ligeiramente maior que o papagaio-do-mar e tem o bico mais delgado. A plumagem de Vero  
castanho-escura, com uma malha branca na asa. Os airos so verdadeiras aves ocenicas, muito desajeitadas no solo, mas especializadas em natao. Vivem em grandes 
colnias sobre as falsias e aninham em recifes estreitos. A Uria troile ((U. aalge) conhecida em Portugal por airo ou arau]  de cor castanho-ardsia, por cima, 
e branco, por baixo. O pinguim pequeno (Alca torda) [a que em Portugal chamam torda-mergulhadeira ou arau-de-bico-rombuco], , por vezes, confundido com o airo, 
embora seja levemente mais pequeno e tenha bico tpico dos Alcdeos, isto , lateralmente comprido. A torda-mergulheira, quando ainda nova, de 3 a 4 semanas,  lanada 
 traio da falsia ao mar pelos pais. Se sobreviver a esta prova - uma queda de 30 metros -  considerada como tendo atingido a maioridade e, portanto, digna de 
tomar vida independente. Se no, no!


Columbiformes
 
 
 Esta ordem abrange cortiis (Pterocletdeos), pombas (Columbdeos) e aves afins.
 A famlia dos Pterocletdeos tem apenas 16 espcies. O esqueleto  muito semelhante ao do pombo; os rgos digestivos so como os dos galinceos. O aspecto exterior 
- penas macias e asas pontiagudas - mas o bico  de galinceo.
 Os cortiis tm o corpo rolio, cauda e asas pontiagudas, pernas e dedos emplumados, to curtos ao ponto de no lhes ser possvel empoleirar-se. A plumagem  cor 
de areia, de modo que estas aves se confundem com o ambiente. O ninho  uma leve depresso no solo; a fmea choca os ovos durante o dia e o macho substitui-a de 
noite. O voo  vigoroso e silencioso.
 O Syrhaptes paradoxus,  chamada de "galina-das-esterpes", faz migraes espordicas.
  famlia dos Diddeos [Rafdeos] pertencia o dodo e os solitrios. O dodo ou drontes, Didus ineptus [Raphus cucullatus], j esto extintas. Os pombos, Pezophaps 
solitarius e ornithaptera solitaria, tinham perdido a faculdade de voar.
 Os pombos e as rolas (Columbdeos) so aves de peito abaulado, pernas e dedos curtos, o bico  delicado e coberto, na base, por membrana mole (chamada cera).
 Encontra-se estas aves em todo o Mundo. Tm bonita plumagem e o ninho  uma plataforma de palha mal entrelaada. Os borrachos, so incapazes de se bastar a si prprios, 
pelo que os pais os alimentam dando-lhes o chamado leite de pomba. Estas aves se alimentam de sementes, bagas e folhas.
 O nmero de espcies ultrapassa as 400, que diferem pelas dimenses e a cor da plumagem. Podem dividir-se, segundo seus hbitos, em dois grupos: os pombos terrestres 
e os arborcolas. Os primeiros tm pernas e os ps mais robustos do que os segundos. No pombo-corodo (Goura), a cabea tem uma coroa de penas formosas, e o nicobar 
(Callenas nicobarica), de plumagem metlica e pescoo revestido de longa romeira de penas lanceolada.
 Os pombos arborcolas: Columa enas [cujo nome portugus  sora], pombo-torcaz, C. palumbus, rola-brava, Streptopelia turtur, e pombo-bravo ou pombo-das-rochas, 
Columba livia, so consideradas aves do Velho Mundo.
 O pombo norte-americano, pombo migrador (Ectopistes migratorius), j  extinto. Outros columbdeos, como o Zenaida macrura,  tambm conhecido por pombo-choro, 
em virtude do seu canto gemebundo.
 Os chamados "pombos-papagaios" so espcies frugvoras, na sua plumagem predominam os tons verdes, mas contm igualmente outras cores resplandecentes. Entre essas 
espcies, contava-se Alectraenas nitidissima, j desaparecida.
 A famlia dos Didunculdeos  representada pelo "manumea", Didunculus strigirostris,  um pombo negro luzidio, de asa e cauda castanhas e bico cor de laranja. No 
era destitudo de capacidade de voar.


Pstaciformes
 
 
 Conhecem-se umas 500 espcies que representam, na ordem dos Psitaciformes, a nica famlia  a dos Psitacdeos.
 Os papagaios e seus semelhantes tm a reputao de ser as mais inteligentes de todas as aves. As pernas so muito curtas e os ps escamosos. Tm bico curto, robusto 
e fortemente recurvado, com a mandbula superior mvel, em parte, articulada ao crnio. A excepo  o Nestor notabilis, conhecido por "ka", papagaio verde-escuro 
com m reputao de matar carneiros. Mas, alimentam-se quase inteiramente de vegetais, embora possa apanhar pequenos roedores. ANinha entre glaciares e os campos 
de neve, nas montanhas.
 Os papagaios adaptam-se bastante bem ao cativeiro e as suas qualidades de imitao fazem deles companheiros apreciados.
 Um outro papagaio muito curioso  o "caapo", Strgops habroptilus, conhecido pelo nome de "papagaio-mocho", em virtude, no s dos discos de penas que lhes cercam 
os olhos, como tambm dos seus hbitos nocturnos.
 Escondem-se durante o dia em buracos, entre as razes das rvores ou nos rochedos, saindo ao crepsculo para se alimentar apenas de ervas, sementes, bagas e razes. 
Raramente trepa acima do solo, e os seus dois ou trs ovos brancos so postos numa toca, nos locais j referidos e so incapazes de voar
 Os papagaios variam de tamanho, a grande cacatua-preta, Probosciger aterrimus,  uma ave de quase 75 centmetros de comprimento, mas as araras da Amrica so ainda 
maiores, como a ararapiranga, Ara maco, vermelha e azul, do Brasil e regies vizinhas, que atingem um metro de comprimento, dos quais mais de 40% pertence  cauda. 
Os periquitos verdes e azuis (Conurus) e os "inseparveis" (Agapornis), medem cerca de 10 centmetros. O papagaio-cinzento, o jac, Psittacus erythacus,  o mais 
conhecido de todos os papagaios, tem plumagem cinzenta e cauda vermelho-vivo. A tonalidade predominante nos papagaios  o verde. Um dos mais vistosos  o lori-de-cabea-negra, 
Damicella lory, com sua plumagem escarlate, uma faixa purpurina interscapular, as asas verdes, e amarelo-olivceo nas regies inferiores. Mas os psitacdeos mais 
ricos e variados de cor so as araras.
 As cacatuas (Kakate e Licentmetrosetis) tm uma linda poupa, as pernas so pequenas e o bico  alto e curto. A cor predominante  o branco, geralmente lavado 
de vermelho ou de amarelo, na poupa e na cauda. Os Calyptorhynchus so negros, mas uma das espcies tem uma faixa vermelha na cauda. A cacatua-preta, Robosciger 
aterrimus  de cor negro-ardsia, com vermelho-claro nos lados da cabea. Serve-se do forte bico para partir a casca dura da noz de Kanari, seu alimento favorito. 
Mas a mais bela  a "inca" (Kakate leadateri), com sua plumagem branca, virando ao rseo no peito, na parte inferior das asas e nas faces, e a poupa com vermelho 
e amarelo.
 O periquito ondulado, Melopsittacus undulatus,  amarelo-esverdeado-claro, maculado de azul, amarelo e preto, e tem cauda comprida. Esta ave encantadora mede 18 
centmetros, dos quais 10 so de cauda. Na sua vida livre, juntam-se em grandes bandos, nos prados das cercanias de Adelaide, que a procuram as sementes de que 
se alimentam. [Em cativeiro, tem dado origem a numerosas e belssimas raas.]
 Os papagaios tricoglossos (de lngua terminada por um feixe de prolongamentos piliformes) alimentam-se de frutos maduros e de nctar. So ornamentados de cores 
vivas, predominando o vermelho na sua plumagem.


Cuculiformes
 
 
 Os Musofagdeos (turacos e papa-bananas), vivem nas rvores e alimentam-se de frutos e insectos. Tm de comprimento 60 centmetros, mais ou menos, uma poupa erctil, 
plumagem geralmente de cores vivas e bico curto e forte.
 Uma espcie representativa desta famlia  o turaco-de-poupa-branca, Touraco corythaix. O papa-bananas-violeta, Musophaga violacea,  a nica espcie desprovida 
de poupa. [e o bico  amarelo e bastante dilatado na base da mandbula superior].
 Os Cuculdeos so cosmopolitas. Muitas das suas espcies tm o hbito parasitrio de fazer a postura no ninho de outras aves, que assim so levadas a chocar e criar 
os filhos do parasita.
 Os cucos propriamente ditos, como o cuco vulgar, Cuculus canorus, pem o seu ovo no ninho de pequenas aves insectvoras cujos descendentes sero ulteriormente lanados 
para fora do ninho pelo filho da ave parasita.
 O cuco vulgar  cinzento, por cima branco com riscas escuras, por baixo. O seu nome  onomatopaico, isto , correspondente  voz que repetidamente emite[e reproduzida 
pelos chamados "relgios de cucos"]. O ninho que escolhem , geralmente, o de petinhos (Anthus), alvolas (Motacila), de folosas (Syvia), etc. O cuco vulgar parece-se 
exteriormente com um falco, como alis  o caso tpico do cuco-falco, Hierococcyx sparverioides. O cuco-drongo, Surniculus lugubris,  pequeno e preto, parece-se 
muito com os pequenos drongos (Dicrurdeos), no ninho dos quais pe os seus ovos.
 O "cui" indiano, Eudynamis honorata, pe os ovos no ninho de gralhas, e o cuco-bico-canelado, Scythrops novae-hollandiae, no da pega australiana, Gymnorhin.
 O cuco-da-chuva, Coccyyzus americanus, e o cuco-de-bico-preto, C. erythrophthalmus, no tm hbitos parasitrios e chocam os prprios ovos.
 Um outro representante desta famlia  o cuco mexicano, Geococcyx californianus, principalmente terrestre e capaz de correr a velocidades considerveis.  tambm 
conhecido por road runner (corredor de estrada).
 Nos "anus" h diversos gneros [No Brasil temos o Crotophaga ani, ou anu preto; Guira guira, ou anu branco, etc.]. C. ani e C. sulcirostris, so notveis pelas 
suas nidificaes, construindo ninhos de tipo cooperativo, nos quais as fmeas pem os seus ovos, chocando-os em comum.


Estrigiformes
 
 
 Os mochos e as corujas, so essencialmente nocturnos e caracterizam-se pelos discos faciais de penas curtas e rijas, situados de cada lado do bico. Os olhos so 
grandes e dirigidos obliquamente para a frente; cobre-os a plpebra superior, e no a inferior, quando os olhos se fecham, ao contrrio do que sucede nas outras 
aves. Esses olhos tm deslocamentos muito limitados dentro das rbitas, pelo que a cabea d ave tem de se mover completamente para poder seguir os movimentos de 
qualquer presa. A viso e o ouvido so extremamente apurados. O orifcio auditivo externo  grande, por vezes de estrutura bastante complexa, e, em certos mochos, 
os dois orifcios so assimtricos, adaptao que parece ser til  referenciao no espao.
 Muitas espcies tm na cabea um par de tufos de penas, erectos, a que abusivamente se d o nome de orelhas. O bico  curto, robusto e adunco, as pernas so emplumadas 
e os dedos dotados de garras aceradas. O dedo externo (reversvel) pode voltar-se para trs ou para a frente, o que permite  ave empoleirar-se com um ou dois dedos 
voltados para trs. Na maioria dos mochos e corujas, a plumagem  muito macia e variada de castanho e cinzento. O voo  silencioso e misterioso, particularmente 
favorvel a uma rapace nocturna. Certos mochos aninham em buracos das rvores ou em ninhos abandonados por outras aves. O mocho das tocas de coelho, Speotyto, utiliza 
justamente as tocas de pequenos mamferos.
 A famlia dos Estrigdeos abrange, alm dos mochos e corujas, os corujes-pescadores (Ketupa), o aurifrsio ou guia-pesqueira (Pandon), tm a planta dos ps coberta 
de escamas especiais e adaptada  captura dos peixes, que constituem a base da sua alimentao, embora estas aves comam tambm carangueijos e outros animais marinhos 
O corujo da Europa, Bubo bubo, um dos grandes mochos, no s ataca grandes galinceos, lebres e coelhos, mas mesmo cabritos muito novos. A maioria dos mochos ou 
corujas contenta-se com pequenos roedores. O corujo-siberiano, B. bubo turcomas, e o corujo-malhado, B. africanus, so aparentados com aqueles. O mocho-das-neves, 
Nyctea scandica,  uma grande ave diurna, a sua plumagem chega a ser branca, de branco quase puro, mas  geralmente maculada de castanho-escuro. Alimentam-se de 
lebres, pequenos roedores, peixes e aves.
 A ulula ou coruja-aor, Surnia ulula, ave diurna, lembra um aor. A ave americana  tida por subespcie distinta, S ulula caparoch. Um gnero afim, Ninox, abrange 
diversas espcies acastanhadas.
 Os mochos pequenos (Otus), de que existe numerosas espcies em quase todas as regies do Mundo, so todos de pequena corporatura e de hbitos nocturnos. O Otus 
sccops posui "orelhas ercteis" e plumagem riscada de preto. A espcie O. asio, apresenta-se sob duas fases de colorao: uma cinzenta, outra ruiva. O mocho-galego, 
Athene noctua, no mede mais de 20 a 22 centmetros.
 As corjas-anas so afins do mocho-galego e representam-se por numerosas espcies, em todas as partes do Mundo. De pequena estatura - os mais pequenos de todos os 
mochos - pertencem ao gnero Glaucidiu, como o mochinhho comum, G. passerinum, o mochinho-de-colar, G. brodici, mochinho-pintado, G. perlatum 
 O mocho-toupeiro, de grandes "orelhas", Asio otus, utiliza os ninhos abandonados das gralhas ou as tocas dos esquilos, e frequentam mais particularmente os pinheirais. 
O mocho-dos-pauis, Asio flammeus [conhecido em Portugal por coruja-do-nabal], de "orelhas", faz o ninho no cho.
 A coruja-do-mato, Strix aluco, passa todo o dia poisada num ramo, com o corpo encostado a um tronco mais forte. Embora parea adormecida, ela toma conscincia do 
menor movimento, e se algum tentar aproximar-se da rvore sem ser visto poder bem avaliar da acuidade desta ave. As mais prximas parentes so S. ocellata e S. 
uralense, das regies indianas.
 As corujas-das-torres, como Tyto alba, distinguem-se das outras rapaces nocturnas pelos grandes olhos e pela unio completa dos discos faciais que as envolvem, 
formando como que uma mscara. A face  branca e a plumagem mais clara que o castanho habitual dos mochos. O seu grito bizarro e lgubre, preferem viver as habitaes 
humanas. Frequentemente pem ovos, aos pares, em intervalos relativamente prximos, de modo que os filhos no eclodem todos ao mesmo tempo, mas tambm em momentos 
diferentes. Nesta ordem, s a fmea choca os ovos e o pai alimenta os filhos. A coruja beb azeite, alimenta-se principalmente de ratos e outros pequenos animais 
vivos de sangue quente, que mata retraa e come, regurgitando depois as partes inassimilveis (pele, osso, unhas, etc.) sob a forma de pequenas bolas, pelas quais 
se pode reconhecer o tipo de nutrio.


Caprimulgiformes
 
 
 As aves agrupadas nesta ordem - muito heterognea pela sua estrutura interna, mas bastante uniforme pelo aspecto exterior - os dedos mdio e externo esto soldados 
entre si e repartem-se por trs famlias bem diferenciadas:
 
Esteatornitdeos (guacharos). - O guacharo, Steathornis caripensis, representante nico da sua famlia,  designado pelos Anglo-Saxes por oil bird (ave oleosa), 
porque os filhos, ao iniciarem o primeiro voo, tm o corpo to rico de gordura. [O nome Steathornis alude precisamente a essa gordura.]  uma ave semelhante aos 
noitibs, mas tem afinidades com os mochos. Mede cerca de 45 centmetros, bico grande e curvo, plumagem cor de chocolate acinzentado, com riscas escuras e malhas 
brancas. Habita as grutas rochosas, donde sai, apenas ao crepsculo, para se alimentar de frutos [drupas de palmeiras]; o seu ninho  feito de argila.
Podargdeos (boca-de-ra). - Os "bocas-de-ra" tm boca grande, extensamente fendida, terminada em bico largo e chato. As espcies repartem-se pelos seguintes gneros: 
Podargus, Batrachostomus e Aegotheles.
O Podargus strigoides dorme durante o dia, em posio erecta, sobre um ramo seco, com cujo ambiente tanto se harmoniza a cor da plumagem que a ave  praticamente 
invisvel.
Os bocas-de-ras so os gigantes desta ordem, pois ultrapassam 0,5 metros de comprimento. O mocho-noitib, Aegotheles cristatus, vive nos buracos das rvores durante 
o dia, passando a noite a caar insectos no voo.
Caprimulgdeos (noitibs). - So vulgarmente conhecidos por noitibs, em Portugal. A sua plumagem  pintalgada, lembrando a dos mochos, e, como eles, so nocturnos, 
mas a alimentao  insectvora, em pleno voo.
O noitib da Europa, Caprimulgus europaeus,  caracterstico da famlia, com sua cabea achatada, bico pequeno, boca larga marginada de seda rija, olhos grandes 
e pernas curtas. Sua voz  semelhante ao som do movimento de uma roda. Tambm recebe o nome vulgar de tte-chvre (mungecabra) e o nome latino Caprimulgus. O madeira-podre, 
C. vociferus,  uma ave de aspecto e costumes semelhantes ao seu congnere europeu.
O noitib da Virgnia, Chordeilles virginianus, caa frequentemente durante o dia.
[No Brasil, os Caprimulgdeos so conhecidos por: "urotau", como o Nyctibius griseus ("mandalua" - me-da-lua); "bacurau", como Podaber nacunda, tambm designado 
por "acurana", "curao", etc.; "curiago", Nyctidromus albicollis, tambm chamado "bacurau", mas mais conhecido por"mede-lguas"; "curiango-tesoura"  o nome que 
se aplica a vrias espcies de cauda longa, como o Hydropsalis torquata cujas penas caudais chegam a medir mais de 70 centmetros, ou seja trs vezes o comprimento 
do corpo da ave.]


Apodiformes
 
 
 Esta ordem abrange duas subordens cujos componentes so bem distintos entre si, que tm de comum, a grande reduo dos ossos dos membros, mormente tanto os dos 
braos como os antebraos, que so mais curtos que a mo; grande desenvolvimento das rmiges primrias, que lhes assegura extraordinria potncia de voo:
Apodiformes.        - Os andorinhes tm plumagem escura, asas compridas e estreitas, bico curto, mas abrindo-se amplamente; pernas e p pequenos e finos. Voam rapidamente 
e durante mais tempo do que as outras aves. Quando descansam, apoiam-se agarrando-se a uma superfcie vertical.
Pode-se repartir os andorinhes por trs grupos: 
 o dos andorinhes-de-cauda-picante - como a Chaertura pelagica,cujas rectrizes, numa e noutra, terminam por simples espinhos;
 o dos andorinhes-de-poupa - como os Macropteryx; e
 daqueles que no tm qualquer destes caracteres - como o andorinho-preto ou ferreiro, Apus apus. Que faz o ninho em buracos de muros ou em qualquer anfractuosidade.
O Panyptila, constri um ninho em forma de saco, feito de vegetais entrelaados, suspenso de uma colina rochosa,  qual fica colado por meio de saliva. Os Macrpteryx 
constrem um ninho de casco de rvore e pernas aglutinadas tambm com saliva; este ninho  to pequeno que, quando a ave nele se acocha, f-lo desaparecer completamente
Troquilformes. - Os beija-flores ou colibris so tambm conhecidos pelo nome de aves-moscas, nome que alude ao pequeno tamanho da ave e ao zumbido que produz a vibrao 
das asas, pelo que tambm lhe chamam, por vezes, zumbidores. A plumagem  verde, violeta, preta e de outras cores, mas sempre com brilho metlico. Alguns so ornados 
de poupa, egretas ou gola, e outros tm a cauda das formas mais fantsticas. O bico  comprido e delgado, direito ou curvo; a lngua  comprida e tubulosa, o que 
lhes serve para libar o nctar das flores. As asas so compridas e vibram to rapidamente que, durante o voo, delas apenas se vislumbra uma mancha cinzenta de cada 
lado do corpo. Nessas condies, podem manter-se no ar, no mesmo stio, diante da flor enquanto lhe extraem o mel, e projectar-se bruscamente como um dardo sobre 
um insecto em pleno voo.
Na estao nupcial, observa-se lutas cruis, atirando-se uns contra os outros com tal violncia que, com os bicos, se cegam mutuamente.
Os ninhos so maravilhosamente entretecidos, construdos por uma espcie de taa profunda, feita de redes vegetais e teias de aranha.
A rapidez do bater das asas foi medida com preciso no beija-flor granate:  de 55 por segundo, quando a ave se mantm no mesmo local, e atinge a frequncia mxima 
de 80 por segundo na mxima velocidade. Suas asas lhes permite deslocarem-se em todas as direces - para a frente, para trs, para cima, para baixo e para os lados! 
Chegam a atingir cerca de 85 quilmetros/hora em voo normal e uma certa espcie ultrapassa os 115 quilmetros/hora.
O Selasphorus platycercus, seu comprimento total  de 8 centmetros. 
O maior de todos os beija-flores, Patagoma gigas, o gigante da famlia, mede cerca de 24 centmetros de comprimento, mas o mais pequeno mede 6 centmetros e pesa 
menos de dois gramas.
Poucas ordens de Aves apresentam to grande diversidade de costumes, de habitat, assim como de alimentao (uma espcie nutre-se exclusivamente de aranhas, e outras 
apenas de nctar).
Os Selforos so amveis e no assustadios, preferem aninhar prximo das habitaes humanas e facilmente se domesticam.
Os "zumbidores" batem as demais aves, excepto no que diz respeito ao canto. Embora uma ou duas espcies tropicais tenham um canto muito fraco, geralmente no passa 
de um leve chilreio. 
[No Brasil existem cerca de 105 unidades entre espcies e subespcies. Destacam-se as seguintes: beija-flor-preto, Eupeptonema macroura, com cauda de andorinha; 
beija-flor-dourado, Hylocharis chrysura; beija-flor-de-coleira, Lophornis magnificus, de formosa poupa e farta gola de grandes pernas; beija-flor-cabea-de-fogo, 
Chrysolampus elatus, etc.]


Coliiformes
 
 
 Seis espcies com numerosas subespcies geogrficas, constituindo o gnero Colius, representam a famlia dos Colideos, nica desta ordem dos Coliiformes. Pela 
sua cor castanha ou cinzenta e longa cauda, so conhecidos vulgarmente por "pssaro-ratos". So aves frugvoras que vivem em pequenos bandos, e  noite renem-se 
em cachos, cada uma com a cabea voltada para cima. Os seus quatro dedos so livres, com o primeiro e o quarto reversveis. A alimentao  predominantemente vegetal, 
constituda por rebentos e frutos, como as papaias e outros polposos. [Na frica Portuguesa, conhecem-se subespcies de Colius macrourus, C. indicus e C. striatus.]


Trogoniformes
 
 
 Os representantes desta ordem evidenciam-se por terem dois dedos voltados para a frente, o primeiro e o segundo. So vulgarmente designados por "cururus". A famlia 
Trogonidae compreende mais de 40 espcies com numerosas subespcies. So notveis pelas cores vivas e brilho da sua plumagem, muito macia. A cor mais frequente  
o verde, varivel com a incidncia da luz, no dorso, e rosado e branco nas regies inferiores do corpo. So aves florestais. Alimentam-se de insectos capturados 
no voo. Os ovos so postos nos ocos das rvores ou sobre um tronco apodrecido.
 O quetzal ou caluro, Pharomachrus mocimo, ostenta uma poupa deprimida lateralmente, o seu corpo mede 30 centmetros de comprimento e a cauda duas vezes esse comprimento. 
[No Brasil, os Trogondeos so designados por "surucus", de que se conhecem, entre outros: Ph. pavoninus; Trogonurus surrucura e outras espcies deste gnero, denominadas 
"surucus-de-barriga-amarela", chamados peruas-chocas. Existe tambm a Apaloderma narina Heterotrogon vittatum.]


Coraciiformes
 
 
 Esta ordem abrange sete famlias, entre elas: os guarda-rios, as poupas e os calaus. [Bastantes heterogneos no aspecto exterior, os elementos desta ordem tm em 
comum: bico comprido, duro, por vezes, enorme; pernas curtas, bastante curtas, com os dedos anteriores soldados na base e o polegar raramente independente (excepto 
nas poupas) do flexor dos outros dedos; plumagem, em regra, muito pouco abundante e dura.]
 Os ovos, brancos e luzidios, so postos num buraco de rvore ou na margem de um rio. No regime alimentar, dividem-se em "pescadores" e "caadores". Os primeiros 
essencialmente de peixes, tm bico comprido, delgado e afilado; os segundos, que comem insectos, tm bico mais robusto e largo. Estas aves tm, em regra, plumagem 
de cores vivas e certas espcies so ornadas de poupa; a cauda  geralmente curta.
 O guarda-rios vulgar, Acedo hispida, de 18 centmetros de comprimento.,  de cor azul-cobalto-metlico, por cima, com as partes inferiores e as faces acastanhadas, 
e zonas brancas na garganta e pescoo. O ninho  escavado em forma de galeria numa margem arenosa, por vezes uma toca abandonada.
 O Megaceryle alcyon, mede 30 centmetros,  de azul-ardsia por cima e branco por baixo, com uma faixa castanha no pescoo.
 O guarda-rios gigante da Austrlia, Dacelo gigas, conhecido vulgarmente por "joo-do-riso",  o maior dos guarda-rios, pois mede 60 centmetros de comprimento; 
 castanho-bao por cima e branco sujo por baixo. A sua voz lembra o riso humano. Alimentam-se de rpteis, incluindo serpentes. O nico representante da famlia 
dos Leptosomatdeos  o rolieiro ou Kirombo, Leptosoma discolor, tem a base do bico coberta por penas curvas.
 Os rolieiros propriamente ditos, da famlia dos Coracideos, tm cores vivas e o hbito de dar cambalhotas.
 Uma espcie tpica  o rolieiro da Europa, Caracia garrulus, bela ave azul, com o dorso castanho-claro e 30 centmetros de comprimento.  uma ave ao mesmo tempo 
vistosa e ruidosa.
 Os abelharucos, da famlia Meropdeos, so aves graciosas de cores vivas, tm bico comprido, curvo e cauda longa. A plumagem , em geral, azul e verde, muitas vezes 
combina com preto, branco e castanho na cabea, no pescoo e no dorso. A alimentao  constituda por insectos. 
 O abelhaco meridional, Merops apiaster, de 25 centmetros, os ovos so postos no fundo de um tnel, que ele abre com seu prprio bico. Os abelharucos (Nyctiornis), 
tm cores vivas, salientando-se a garganta escarlate.
 Os uritutus ou juruvas, da famlia dos Momotdeos, so aves relativamente grandes, com cerca de 40 centmetros, de bico forte, acerado e denticulado. A sua alimentao 
consiste em insectos apanhados no voo, pequenos rpteis e frutos. A sua plumagem  verde, azul, prateada ou violeta. A cauda  bastante comprida, mais do que o corpo 
e apresenta a particularidade de as duas rectrizes mdias. [No Brasil conhece-se o uritutu ou jacu-taquara, Momotus momota, a juruva, Baryphthangus ruficapillus, 
etc.]
 Os Toddeos assemelham-se aos papa-moscas pela forma e pelos costumes, mas so aparentados com os Momotdeos. A sua plumagem  verde e vermelha. A nidificao  
feita nas margens fluviais.
 A poupa vulgar, Uppupa epops, da famlia dos Upupdeos, mede cerca de 30 centmetros de comprimento,  coberta de plumagem fulvo-rosada, marcada de riscas pretas 
e brancas, e tem uma poupa vistosa, que se abre em leque. Com o bico comprido, delgado e curvo, procura no cho insectos, larvas e vermes. A poupa tem um voo que 
lembra o da borboleta. Aninha nos buracos das rvores e das casas.
 Os "zombeteiros", so aparentados com as poupas, mas a sua plumagem  mais escura, azul, verde e violeta metlicos, no tm poupa e o bico  ainda mais comprido 
e curvo. [Um bom exemplo  o zombeteiro da Guin, Phoeniculus senegalensis.]
 Os calaus, que representam a famlia dos Bucerotdeos, com cerca de 45 espcies e numerosas subespcies. Tm um bico enorme, geralmente com um casquete crneo, 
diversamente modelado segundo as espcies.
 So aves arborcolas, na sua maioria, com voo lento e pesado. Alimentam-se de frutos e pequenos animais que apanham nas rvores. O bordo das mandbulas  denticulado 
e as plpebras tm pestanas grossas. A fmea, por exemplo, o Lophoceros melanoleucus, fica enclausurada no ninho.
 O calau da Abissnia, Bucorvus obyssinicus, alimenta-se de animais, tais como rpteis, atacando mesmo as serpentes. [Na frica Portuguesa, os calaus grandes so 
conhecidos por "perus-do-mato" e, na Guin, designadamente, por "almas-de-biafada", nome a que est ligada uma lenda indgena.]


Piciformes
 
 
 Os representantes desta ordem tm em comum: o p zigodctilo.
 Os tucanos (Rafastdeos) so ornadas de cores vivas e possuem um bico extraordinariamente grande. Embora forte, , no entanto, muito leve, com a parede externa 
reforada por delicada rede de fibras sseas. Alimentam-se de frutos, de insectos, de ovos e avezinhas. Sua lngua  comprida e delgada, por isso o alimento s pode 
ser facilmente engolido estando a cabea reclinada para trs, em posio invertida. [Um bom exemplo de tucano do Brasil  o Rhamphastos toco, que mede 60 centmetros.]
 Os "barbudos", da famlia dos Capitondeos so arborcolas, insectvoros, saltam de ramo em ramo, por onde trepam  procura de alimento [constitudo por frutos 
e insectos]. Estas aves tm o corpo atarracado e pesado, com bico forte e coberto de seda (vibrissas), e a plumagem geral  vistosa. Por vezes, ficam imveis durante 
horas seguidas, emitindo um grito metlico muito sonoro que lhes vale o nome de "caldeireiros" (Megalaima haemacephala pogoniulus pusilla) e de "ferreiro" (Megalaima 
faber). [No Brasil, um exemplo  o capito-de-bigodes, Capito auratus nitidior.]
 Os indicadores-do-mel (famlia dos Indicatordeos) tm cor discreta, quando vem algum [ou o mamfero ratel], saltitam de rvore em rvore, chamando a ateno 
com um chilrear agudo para os guiar at ao ninho das abelhas, a fim de obterem o seu quinho. 
 Os pica-paus, da famlia dos Picdeos, com cerca de 400 espcies, tm bico forte, servindo de instrumento em forma de cunha, para cortar, accionado por msculos 
poderosos; serve para fazer buracos profundos nos troncos e ramos, para escavar o ninho ou para procurar alimento e, ainda, para abrir nozes. A lngua  comprida 
e vermiforme, envolta em saliva viscosa e vilosa na ponta, o que lhe permite recolher larvas e ovos de insectos.
 Nos pica-paus verdadeiros ou pretos, a cauda  formada por rectrizes rijas e pontiagudas que, apoiadas contra o tronco das rvores, sustm a ave enquanto trepa. 
Certas espcies alimentam-se mesmo no cho. Alguns exemplos: o pica-pau-doirado, Colaptes auratus; o peto-verde ou real, Picus viridis; o peto-malhado, Dryobates 
major; peto-galego, Dryobates minoro; o peto-negro, Picis martius; o peto-cabeludo, D. villosus. [Em Portugal, o peto-real, o peto-galego e o peto-malhado so representados, 
respectivamente, pelas subespcies: sharpei, buturlini e hispanus.]
 Os pica-paus-anes ou picumnes tm as rectrizes curtas e arredondadas; so desprovidos do primeiro dedo. [No Brasil, os mais vulgares so o Picummus temmincki e 
o P. cirrhatus.]
 As duas espcies de torcicolos tm plumagem variegada e a cauda  constituda de plos flexveis. Alimentam-se no solo de formigas e, embora aninhem em buracos. 
A principal singularidade  a facilidade com que torcem o pescoo. Exemplo: torcicolo Jynx torquilla.
 Os chamados "cucos-barbudos", da famlia dos Bucondeos, tm o hbito de eriar as penas da cabea. O bico  forte, curvo, adunco na extremidade e guarnecido de 
pernas na base. [Uma das mais notveis no Brasil  o Bucco capensis, conhecido por "rapazinho--dos-velhos".]
 Os jacamares, da famlia dos Galbuldeos, tm bico comprido e acerado, plumagem verde ou bronze-metlico nas regies superiores do corpo, a garganta branca e as 
partes inferiores de cor castanha. Alimentam-se apanhando insectos em pleno voo. [No Brasil, uma das espcies  o ariramba-da-mata-virgem, Brachygalba lugubris melaniosterna, 
conhecido por "beija-flor-grande".]


Passeriformes
 
 
 Esta ordem dos Pssaros so aves de pequeno porte, cujos dedos dos ps esto assim dispostos: trs para diante e um para trs, este em geral comprido e accionado 
por um tendo separado [eleuterodctilos], de modo a poder a poder opor-se aos outros trs como se fosse um dedo polegar. [Existe anastomose entre o flexor do polegar 
e o comum aos outros dedos (desmodctilos).]
 A ordem est dividida em "pssaros que gritam" e Pssaros que cantam". [Tecnicamente, esta ordem divide-se: Desmodctilos, Mesomideos e Acromides.]
 
Desmodctilos, com apenas a famlia Eurilaimdes - forma um elo entre os pica-paus e os pssaros. Tm frequentemente plumagem vistosa. O bico  largo na base e profundamente 
fendido; a alimentao  constituda por insectos e frutos. So aves muito pouco activas. 
Mesomideos (Clamatores). - Com nove famlias, entre as quais as dos forneiros (Dendrocolaptdeos), dos formigueiros (Formicarideos) dos papa-moscas americanos 
(Tirandeos), dos manaquins (Piprdeos), dos galos-da-serra e afins (Cotingdeos), etc. [Com trs pares de msculos, na siringe, inseridos na parte mdia e em toda 
a volta dos anis traqueados.]
 A famlia dos Dendrocolaptdeos - os forneiros - abrange 280 espcies de aves de cor castanha, bico curvo e cauda rija. Algumas espcies assemelham-se aos pica-paus 
ou a subideiras, pelos hbitos e aspecto. O Anumbius anumbi, "enfeixa-lenha", constri o seu ninho com ramagens, deixando uma entrada no topo e uma passagem espiralada 
que conduz  cmara de incubao. O mesmo acontece com os forneiros do gnero Synallaxis [como o joo-tiriri, do Brasil]. Os forneiros propriamente ditos fazem um 
grande ninho efrico, de argila, com 30 centmetros de dimetro. [O forneiro, Furnarius rufus,  conhecido no Brasil por joo-de-barro.] Alimenta-se de insectos. 
[Exemplos de formigueiros ou papa-formigas no Brasil: as chocas (como Thamnophilus doliatus); as galinhas-do-mato (como Grallaria varia, Formicarius ruficeps e outras 
espcies.]
 Os Conofagdeos, tm cabea grande e cauda curta. O cuspidor, Conophaga melanops, do Brasil,  um exemplo.
 Os tapacolas, que representam a famlia dos Rnocriptdeos [aves cujas narinas so parcialmente cobertas por membranas], so aves pequenas, de cor uniforme e dotadas 
de ps grandes. So tmidas e recolhidas, frequentando moitas, a saltitar de ramo em ramo, ou correndo no solo, de cauda levantada. [Exemplo: Liosceles thracicus, 
do Brasil.]
 A famlia dos Pitdeos, so aves de pernas relativamente compridas e plumagem vistosa, habitam juncais e matos densos, e alimentam-se de insectos e vermes. O grupo 
das pitas-de-poupa  considerado como famlia independente (Filepitdeos). Assim como a famlia dos Xenicdeo, seu ninho, em forma de garrafa,  construdo dentro 
de um tronco oco.
 A famlia dos Tirandeos, ou papa-moscas, so aves de plumagem discreta e muito combativas. So insectvoras, capturando as presas em pleno voo, tm bico achatado, 
muitas vezes adunco na extremidade e, em geral, possuem sedas nos cantos da boca. [So representantes no Brasil: o bem-te-vi (Pitangus sulphutus), o joo-pobre (Serpophaga 
nigricans), a pombinha-das-almas (Xolmis cinerea), o lecre (Onychoryncus caronatus), a tesoura (Muscivora tyranus), e tantos outros).]
 A famlia dos Oxruncdeos (bicos acerados) tem apenas trs espcies pouco conhecidas. [A araponguinha do Brasil, Oxyruncus cristatus, tambm conhecida por "chibante" 
e "araponga-horta", so representantes no Brasil.]
 Os manaquins ou danadores, da famlia dos Piprdeos, so aves pequenas de cores vivas. So representantes no Brasil: o "danador" dos brasileiros, ou manaquim-de-cauda-longa 
(Chiroxiphia caudata) que manifesta hbitos coreogrficos. [O macho  uma ave muito bela, de cor azul-celeste , comas asas e a cauda preta, uma coroa vermelha na 
cabea.]
 Os cotingas arapongas, galo-da-serra (Rupuicola rupicola), etc., da famlia Cotimgdeos, alimentam-se de frutos, moluscos e largatos.
 O macho dos anambs (Cephaloprus) tem na cabea uma grande poupa em forma de umbela, e outras espcies so ornadas de diversas formas de carnculas ou ornamentos 
plumosos. O grito do macho lembra o de uma campainha. [O anamb-preto, Cepphlopterus ornatus,  uma das mais curiosas aves do Brasil, dotado de um longo penacho, 
pendente do pescoo.] aos Cotingdeos ligam-se os Fitotomdeos, com o bico fortemente denticulado, cortam ervas, seu alimento, alm de frutos. Acrmideos (Oscines), 
com as restantes famlias. - Aves das duas ltima subordem so eleuterodctilas. [Com cinco a sete pares de msculos na siringe, sempre inseridos lateralmente nos 
anis traqueanos.]
 As "aves-lira" (Menura novae-hollandiae), representante da famlia dos Menurdeos, so os gigantes Passeriformes, tm a corporatura dos faises. Tm pernas e dedos 
robustos; a cauda do macho  liriforme; a plumagem geral  de cor discreta. O ninho recebe um nico ovo. O macho tem o seu canto natural, mas tambm  capaz de imitar 
uma vasta gama de sons de chamamento, das outras aves.
 As cotovias - da famlia Alaudidae - todas as espcies aninham no solo e a maioria canta elevando-se no ar, em voo alto. [Em Portugal, os pssaros so designados 
pelos nomes, entre outros: cotovia e calhandra, Alauda arvensis; cotovia-de-poupa, Galerida vristata; carreirola, Calandrella brachydactila; calhandra-real ou cochicho, 
Meanocorypha calandra.]
 As andorinhas, que constituem a famlia Hirundindeas, so pequenas aves dotadas de longas asas, que apanham insectos em pleno voo. Assemelham-se aos andorinhes 
(Apodiformes): pernas delgadas e fracas, bico pequeno abrindo-se largamente e voo poderoso. A plumagem destas aves , em geral, irisada nas regies dorsais e a cauda 
profundamente bifurcada. A andorinha-das-chamins, Hirundo rustica, seu ninho  construdo com lama, em edificaes rsticas. A andorinha-dos-beirais, Delichon urbica, 
faz o ninho nos beirais dos telhados, e a andorinha-das-barreiras, Riparia riparia, escava um ninho em galerias nas encostas arenosas. A andorinha-das-encostas, 
Petrochelidon lunifrons, constri um ninho de lama, em forma de garrafa, nas encostas ou nos beirais das habitaes. A andorinbha-das-herdades, Hirundo erythrogaster, 
parece-se, pela forma e hbitos, com a das chamin da Europa, ao passo que a bank swallow  a mesma Riparia riparia, europeia, das barreiras.
 As alvolas ou lavandiscas e as petinhas e cias - da famlia das Motacildeas - so quase inteiramente terrestres. Alimentam-se de insectos, que apanham voando. 
Os seus movimentos so rpidos e a cauda est permanentemente em agitao.
 As espcies mais conhecidas so a alvola-branca (Motacilla alba) e a alvola-amarela (M. flava). 
 As petinhas ou cias so geralmente de cor sombrias, pelo aspecto e hbitos, parecem-se mais com as cotovias. Cantam em pleno voo.
 A petinha-dos-prados, Asnthus pratensis, a petinha-das-rvores, A. trivialis, a petinha-das-rochas, A. spinoletta, so comuns na Europa. A petinha-americana mais 
frequente  a A. spinoletta; a A. spraguei, nos Estados Unidos da Amrica.
 Os papas-largata - da famlia dos Campefagdeos - aves que constituem um elo de ligao entre os papa-moscas (Muscicapideos) e os picanos (Lanideos). So fundamentalmente 
cinzentos, pretos ou brancos, muito semelhantes aos papa-moscas pelo aspecto e costumes, e alimentam-se de insectos adultos e lagartas. O lagarteiro-faiso, Pteropodocy 
phasianella, tem cauda longa em forquilha e pernas fortes. O Pericrocotus tem plumagem vistosa, sendo o macho preto e escarlate e a fmea amarela e cinzenta. [NA 
frica; Coracin pectoralis  de cor cinzenta nos dois sexos; Campephaga phenicea flava, o macho  preto e a fmea amarelada.]
          Os bule-bules, da famlia dos Picnonotdeos, tm feies de tordo, arborcolas, voando mal, e mais ou menos gregrias. Alimentam-se principalmente de bagas 
e outros frutos. So de cor cinzenta ou castanha. O bico abre-se largamente e  provido de sedas rectais. [Na Guin Portuguesa, a espcie Pycnonotus barbatus  chamada 
"engole-malagueta"; tem canto caracterstico, que exibe logo de madrugada.]
          Os picanos reparte-se por duas famlias: a dos vangas (Vangdeos) e a dos picanos verdadeiros (Lanideos). O picano-real, Lanius excubitor, e o picano-de-dorso-vermel
ho, Lanius collurio, espetam as suas presas (insectos, aves juvenis, ratos e rs) nos espinhos dos arbustos da vizinhana nos seus respectivos ninhos. [Existem em 
Portugal duas espcies: a subespcie meridionalis, e o picano-barreteiro, Lanius senator.]


RESUMO DE UM GRUPO DE FAMLIAS CONSTITUDAS POR ALGUMAS AVES MAIS PEQUENAS DO GLOBO:
 
Bombicildeos (exemplos: o tagarela-da-bomia, Bombycillus garrulus; pssaro-dos-cedros, B. cedrorum). - as aves deste gnero tm, na extremidade das rmiges secundrias, 
um apndice crneo caracterstico, com o aspecto de lacre.
Cincdeos (exemplo: melro-de-gua, Cinclus cinclus). - Mergulham com facilidade e movem-se na gua servindo-se das asas e das pernas. A alimentao  construda 
por insectos e moluscos aquticos. [O melro-de-gua ou melro-peixeiro  sedentrio e comum no Norte de Portugal.]
Trogloditdeos (exemplo: carria, Troglodytes troglodytes, que no excede 10 centmetros de comprimento). - O canto tem uma tal intensidade que no parece ser uma 
ave to pequena. [Em Portugal, sedentria e comum,  conhecida por carricinha-das-moitas, escondrigueira, etc.]
Imitadores da Amrica (Exemplos: imitador-poliglota, Mimus polyglotus, mede 25 centmetros de comprimento; pssaro-gato, Dumetella carolkinensis, imita a voz do 
gato). - So aves apreciveis, canoras e so dotadas de extraordinrias faculdades de imitao.
 Os melros e os tordos pertencem  grande famlia dos Turddeos espalhada pelo Mundo inteiro; muitos so excelentes cantores. Sua plumagem lembra as dos pais. As 
espcies europeias so as dos melros, tordos, rouxinis, piscos, chascos, etc.
 As espcies americanas; o tordo-migrador, Turdus migratorius, o tordo-eremita, Turdus solitarius, o tordo-dos-bosques, Hylocichla mustalina, e outros. [O rouxinol 
da Europa, Luscinia megarhyncha,  famoso por seu canto,  comum em Portugal.]
 Aparentados com os predecessores so as folosas e as toutinegra, da famlia dos Silvideos. So aves de plumagem unicolor e de aspecto modesto. Tm muda primaveril, 
e os juvenis so de plumagem idntica  dos pais. A folosa-costureira, Orthotomus atrigularis, cose diversas folhas pelos seus bordos com plos de animais e fibras 
vegetais, formando uma bolsa dentro da qual faz seu ninho, forrando-o de penugem. [So comuns em Portugal, por exemplo, a toutinegra-real, Sylvia hortensis, a folosa-dos-valados, 
S. melanocephala, etc.]
 A famlia dos Reguldeos, faz a transio entre as folosas e os chapins, por exemplo: as estrelinhas (Regulus regulus) ou folosas-de-poupa (R. insignicapillus) 
e o poupa-de-rubi (R. calendula).
 A famlia dos Muscicapdeos - papa-moscas do gnero Mucicapa e outros mais ou menos afins. So aves pequenas, que apanham insectos em pleno voo, lanando-se do 
alto de seu poleiro para esse fim. O papa-moscas-de-cabea ou taralho, Muscicapa striata,  uma ave discreta, mas o papa-moscas-de-cabea-preta, m. atricapilla, 
 mais vistoso. So de cores vistosas, como as do papa-mosca-do-paraso, do gnero Terpsiphone, tm plumagem branca ou castanha, com a coroa azul, brilhante, e a 
cauda de longas rectrizes. Os peitos-ruivos, Petroica phenicea e P. rodinogaster, so realmente papa-moscas de peito rosado.
 Existe um conjunto variado de aves - da famlia dos Timaldeos - com a estrutura geral dos tordos, tendo asas curtas, arredondadas, estreitamente aconchegadas ao 
corpo, e sedas rectais bem desenvolvidas nas comissuras da boca. Foi-lhes dado por nome vernculo o de tordos-ruidosos. O "rouxinol-do-japo", Liothrix lutea, so 
mais arborcolas. [A esta famlia pertence os Turdoides africanos, como o T. jardinei.]
 Os chapins ou cedivns - da famlia dos Pardeos - apresentam caractersticas comuns aos Timaldeos e aos Lanideos, tm bico curto e cnico. [Uma das espcies 
mais bonitas  o chapim-de-poupa, Parus cristatus, cuja subespcie weigoldi, comum e sedentria, vive em Portugal.]
 As subideiras, que representam a famlia dos Certideos, podem ser exemplificadas pela Certhia brachydactyla, de bico comprido e curvo. [ sedentria e frequente 
em Portugal.]
 A famlia dos Zoosteropdeos, so aves bem caracterizadas pelo anel de penas brancas que circunda o olho. [So conhecidas por "olho branco"; uma das espcies mais 
espalhadas  Zoosterops senegalensis e suas subespcies.]
 Outras aves que se assemelham aos chapins, como por exemplo: os Dicedeos, beija-flores; o peito-de-fogo, Dicaeum momticola; Os Melifagdeos, ou chupa-mel; o chupa-mel-de-colar, 
Myzomela pectoralis; os Nectarinideos, beija-flores africanos e australianos. [Na frica, existe os beija-flores do gneros Nectarinia, Cinnyris, Anthreptes e outros. 
Uma das mais belas espcies a Nectarinia amethystina.]
 Os pintassilgos e seus parentes prximos - da famlia dos Fringildeos - constituem a famlia mais numerosa de aves. O bico  tipicamente curto, forte e cnico, 
alimentam-se essencialmente de sementes. Podem distinguir-se trs grupos: 
 
De bico-grosso. - Como Coccothraustes coccothraustes e Chloris chloris [conhecidos em Portugal, respectivamente por bico-grossudo e verdilho.]
Os pintassilgos e afins. - Como Carduelis carduelis e Serinus canarius [respectivamente pintassilgo e canrio].
Os cardiais. - Como Pyrrhuloxia cardinalis.
 A famlia dos Icterdeos, que se parecem com os teceles (Plocedeos) pelos seus hbitos, chegando algumas delas a construir ninhos enormes de estrutura semelhante. 
O papa-arroz (Dolichonyx oryzivora),  o melhor cantor de toda a Amrica do Norte. [Ave de arribao, conhecida no Brasil por "triste-pia"]; o Icterus galbula, conhecido 
por "baltimore", e os Molothrus. [No Brasil, o Molothrus (exemplo, m. bonariensis) entre outros nomes, do-lhes o de vira-bosta, correspondente ao de pssaro-das-vacas.]
 Outra famlia aparentada com os Fringildeos  a dos Plocedeos, clebre pelos seus ninhos entretecidos. Os teceles sociais, conhecidos por "republicanos", Philetairus 
socius, juntam-se, s centenas, para construrem um enorme ninho comum, com ervas secas nos troncos de uma rvore.  dentro deste telhado protector que cada casal 
suspende o seu prprio ninho feito com os mesmos materiais. O pardal, Passer domesticus, se espalhou pelo mundo inteiro a partir do seu habitat original, faz parte 
desta famlia. [A mesma famlia pertencem os chamados "pardais-de-bico-vermelho" da frica.]
 Os estoninhos - da famlia dos Estorndeos - como a "minas-falantes" (Gracula religiosa) e os estorninhos propriamente ditos, so comparveis s gralhas, pelo facto 
de andarem, em vez de saltitarem. [O estorninho vulgar, Sturnus vulgaris, e o Sturnus unicolor so comuns em Portugal.]
 Os pica-bois ou sentinelas-dos-rinocerontes - da famlia dos Bufagdeos (como Buphga africana) - tm o costume de poisar em cima dos bois, dos rinocerontes e de 
outros animais, catando-lhes a vermina que lhes infestam a pele.
 Os papa-figos, da famlia dos Orioldeos, tm geralmente cores vivas, principalmente amarelo-doirado, contrastando com o preto, como o papa-figo europeu, Oriolus 
oriolus. [Os papa-figos americano pertence a outra famlia, a dos Icterdeos.]
 Os drongos, da famlia dos Dicrurdeos, tm plumagem inteiramente preta. Todos tm a cauda mais ou menos bifurcada. Lembram os picanos e os papa-moscas, pelo modo 
como caam os insectos, saltando do seu poleiro para os apanhar.
 Os Ptilonorinqudeos - as chamadas "jardineiras" ou "aves-de-bero" - tm o hbito de construir uma espcie de bero ou palhota, onde os machos fazem a corte s 
fmeas. Esses beros chegam a medir 2,40 metros de altura. [Uma das mais belas destas aves  o regente, Sericulus chrysocephalus, da Austrlia.
 O Artamdeos - as pseudo-andorinhas das florestas - lembram as andorinhas pelos costumes e seus caracteres. Numa espcie australiana, Artamus sordidus, os seus 
componentes tm o hbito de se suspenderem em cachos nas rvores, como enxames de abelhas.
 As aves-do-paraso - da famlia dos Paradisedeos - so sumptuosamente ornamentadas de vistosa e delicada plumagem, embora sejam parentes prximos dos corvos. [Uma 
das mais belas e divulgadas  a Paradisea apoda.]
 Os corvos e gralhas - Corvdeos - ocupam lugar de honra na classe das Aves, porque esta famlia  a de mais elevada organizao. O mais vulgar  o corvo comum, 
Corvus corax - a ave sagrada do deus nrdico Odin.  um pssaro de 60 centmetros de comprimento, belo, a despeito da sua cor preto-brilhante. Entre os outros membros 
da famlia, contam-se as gralhas, pegas, gaios, etc. [Corvus frugilegus (gralha-calva), Coloeus monedula (gralha-de-bico-preto), Pyrrhocorax pyrrhocorax (gralha-de-bico-vermelho), 
Pica pica (pega), Cyanopica cyamus (pega-azul), Nnucifraga caryocatactes (quebra-nozes), Garrulus glandarius (gaio) - espcies representadas em Portugal, na sua 
maioria por subespcies.]


CURIOSIDADES:


["Um cuco parasita, tem um apetite insacivel, quando pequeno  alimentado pela me, muitas vezes menor do que um pardal, por exemplo, a negrinha, Prunella modularis. 
"
"A Rhea americana, nandu ou ema - Ratite da ordem Reiformes - ave prpria da Amrica,  semelhante ao avestruz africano."
"Uma kivi, Apteryx mantelli - ave da ordem Apterigiformes,  exclusiva da Nova Zelndia - as asas, aparentemente ausentes, esto encobertas pela plumagem."
"O pinguim-real ou cotete-real, Aptenodytes patagonica, da ordem Impenes, distingue-se bem pela malha piriforme amarela que se estende do peito  regio auricular."
"O galgueiro-da-cal, Colymbus arcticus, um mergulho da ordem Colimbeformes, raramente visita Portugal."
"O Fura-buxo ou maranhona, Puffinus kuhli, da ordem Procelariformes, cuja subespcie borealis visita Portugal de Abril a Setembro."
"Os pelicanos so aves aparentemente pesadas, tm, no entanto,
 grande potncia de voo."
"A cegonha-de-barriga-branca, Abdimia abdimi,  encontradia desde o Nilo branco  frica Ocidental."
"O Flamingo, Phenicopterus roseus, pertence  ordem dos Ciconiiformes. S acidentalmente aparece em Portugal continental."
"O macho de merganso-maior, Mergus merganser, da ordem Anseriformes. Vive na Europa e na sia Setentrional."
"O pato-marreco, Dendrocygna viduata,  uma ave anseriforme, de hbitos arborcolas, frequente na frica e na Amrica do Sul."
"O Pato-mandarin, Aix galericulata,  uma ave ornamental, anseriforme e  originrio da China e do Japo."
"Uma das origens da raa domstica,  o ganso chins, Anser cygnoides."
"A branta-de-peito-vermelho, Branta ruficollis da Sibria, raramente visita a Europa."
"O mutu ou hoco-da-poupa, Crax globulosa,  uma ave existente nas florestas que se estendem do Brasil s Guianas."
"A guia-real, Aquila chysaetus,  verdadeiramente um smbolo de nobreza e fora, tal como o leo."
"O perdis, Alectoris rufa, sua rea geogrfica se estende do Sul da Frana  Pennsula Ibrica e s ilhas Canrias, Madeira e Aores."
"O Pavo-azul, Pavo cristatus, da ndia, Asso e Birmnia, onde ainda vive no estado selvagem. Em estado de semicativeiro, encontra-se a ornamentar muitos parques 
e jardins.
"O Pinta-vulgar, Numida meleagris, galinha africana de casquete e grandes barbilhes,  conhecida em Portugal pelo curioso onomatopaio "estou-fraca"."
"A espcie do tetraz-grande, Tetrao urogallus, existiu, 
em tempos, na Serra da Estrela."
"O Pavo-da-china, Polyplectrum chinquis, rene caracteres de pavo e de faiso e  caracterstico da Pennsula Indochinesa."
"Uma Pintada-de-poupa, Guttera edouardi,  a galinha das regies florestais africanas."
"O faiso-doirado, Chysolophus pictus,  originrio das regies montanhosas da China."
"A grou-da-numdia, Antropoides virgo, umas das mais belas aves gruiformes,  reconhecvel facilmente pelos dois tufos de penas brancas, lateralmente, na cabea."
A grou-coroado, Balearica pavonina,  uma bela ave gruiforme da frica."
"A narceja, Capella gallinago, ave da ordem Caradriformes, frequenta as regies herbosas e paludosas da Europa e da sia."
"Um borrelho, Charadrius dubius,  uma ave ribeirinha da ordem Caradriformes."
"O combatente, Philomachus pugnax, na poca da reproduo ostenta romeira de penas ercteis."
"A Pomba-de-asa-de-bronze, Phaps chalcoptera,  da Tasmnia."
"A Pomba-de-pernacho, Ocyphaps lophotes,  a maior das aves australianas."
"A rola-de-colar, Streptopelia decoto,  ocidental - originou a rola domstica."
"A pomba imperial, Ducula badia, so das florestas de montanha da pennsula malaia."
"O mocho-dos-pauis, Asio flammeueus,  conhecido em Portugal 
por coruja-do-nabal."
"O abelharuco vulgar, Merops apiaster, ave coraciiforme,  o inimigo nmero um das abelhas. Encontradio na Europa, Na sia e na frica."
"A ave coraciiforme, calau-bico-de-serra, Tockus erythrorhynchus, da frica,  encontradia em Angola e Moambique."
"Outra ave coraciiforme, a poupa, Upupa epops, da Europa, sia e frica; tem o seu penacho em leque, cujo ninho exala um cheiro nauseabundo."
"O tucano (Ramphastos), cujo bico, embora muito grande,  bastante leve, constitudo por tecido sseo esponjoso."
"A ave passeriforme da famlia dos Cotingdeos, galo-da-serra ou dalo-do-peru, Rupicola rupicola, vive nas regies florestais da Venezuela, Norte do Brasil e Guianas."
O carria, Troglodytes toglodytes - um dos passarinhos mais pequenos, mas de voz forte desproporcionada ao seu tamanho."
"A cotovia-de-poupa, Galerida cristata, a subespcie pallida  sedentria e muito comum."
"O melro-aqutico ou pesqueiro, inclu cinclus, ave passeriforme comum no Norte de Portugal."
"O Gralha-de-bico-preto ou cuneta, Coloeus monedula, cuja subespcie spermologus se encontra, por vezes, em Portugal."]


Fim do sexto volume
